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Hist�ria mostra que receita est� longe de ser indolor

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Na prática, a história dos superávits fiscais no governo Fernando Henrique mostra que a receita está longe de ser indolor. A crise energética, que quase levou o país ao apagão, freou o crescimento da economia e fez despencar a popularidade do presidente, foi um dos produtos dessa política. A Eletrobrás, estatal de energia elétrica, foi obrigada a produzir uma economia de R$ 800 milhões em 2000 e 2001. Sem investimentos, o governo contou com os reservatórios de água das usinas hidrelétricas, além do limite de segurança. A crise só foi resolvida com redução do consumo e aumento do preço da energia para o consumidor. Cortes de gastos Os cortes de gastos não pouparam investimentos em obras listadas como prioridade de FHC nem a área social. A contenção de gastos da saúde já foi motivo de estresse entre o então ministro José Serra e Malan. Os dois trocaram notas e farpas em 2001 por conta do bloqueio de uma verba de R$ 870 milhões. ?Não quero polêmica, só queremos o dinheiro?, disse o presidenciável tucano na época. Boa parte das despesas previstas no Orçamento da União não saiu do papel. Em 99, a pressão para conter gastos levou à suspensão por quatro meses da distribuição de cestas de alimentos a 8,6 milhões de pessoas que vivem em bolsões de pobreza no país. No ano seguinte, em plena crise na segurança pública, o Tesouro Nacional bloqueou R$ 215 milhões do Fundo Penitenciário Nacional destinados à abertura de vagas em presídios. No caixa do governo federal, o dinheiro ajudou a melhorar o desempenho das contas públicas. Na semana passada, também em nome da economia de gastos, o Exército dispensou 44 mil recrutas antes do tempo. Na despedida, houve choro.

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