INVESTIGAÇÃO
Vereador, PM e suposto líder do PCC são alvos de operação no interior de São Paulo
Ação mira rede suspeita de usar vigilância 24 horas para blindar tráfico
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo e a Polícia Militar prenderam na manhã dessa terça-feira (15) seis suspeitos de integrar o PCC em Itatiba, no interior de São Paulo. Entre os presos está um morador de um condomínio de luxo da cidade. Ele é suspeito de integrar o núcleo de comando e lavagem de dinheiro da facção.
Durante o período da investigação, o homem teria comprado e negociado mais de 20 veículos de alto padrão, como Lamborghini, Ferrari e Porsche.
A Operação Nexus cumpriu também mandados de busca e apreensão na casa do vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco, o Du Guaca (MDB), e na Câmara Municipal de Itatiba. O político é suspeito de integrar o núcleo de monitoramento da organização criminosa. A reportagem enviou por volta das 12h um e-mail para o gabinete do político, mas não obteve resposta até a publicação.
A Câmara Municipal de Itatiba afirma que colabora "integralmente com as autoridades competentes e presta todo o suporte necessário ao regular cumprimento das determinações judiciais".
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"A investigação não está relacionada ao exercício da função parlamentar do vereador, à atuação institucional da Câmara Municipal ou a atos praticados em nome desta Casa Legislativa."
A Corregedoria da Polícia Militar também cumpre mandado de busca contra um policial militar do município por suspeita de ligação com a facção. O Ministério Público não divulgou qual seria a participação do agente no esquema.
Ao todo, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão — 23 em Itatiba e três em Campinas. Segundo a Promotoria, a ação atinge o comando e a lavagem de dinheiro, o gerenciamento operacional, o monitoramento e a vigilância, o abastecimento e a distribuição, a logística e o suporte e, por fim, pontos de venda de drogas da organização criminosa.
A investigação descobriu em Itatiba um sistema de monitoramento, vinte e quatro horas por dia (ou mantido como "24 horas por dia" se preferir a forma numérica jornalística), que permite ao grupo a adoção de medidas imediatas para ocultação de drogas, dispersão dos vendedores e interrupção temporária das atividades quando há a aproximação das forças de segurança.
Três lojas de veículos, duas em Itatiba e uma em Campinas, também foram alvos da operação, por suspeita de lavagem de dinheiro. Um dos investigados é suspeito de atuar como uma espécie de banco do traficante, com pagamentos que superam R$ 2 milhões.