OPERAÇÃO
Milton Leite é alvo de mandado de prisão em ação contra PCC
Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo nega relação com a facção
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite é alvo de mandado de prisão temporária, por 30 dias, em uma operação realizada nessa quinta-feira (17) para combater núcleos do PCC (Primeiro Comando da Capital) relacionados a empresas do transporte público paulistano. Ele não foi localizado pelos investigadores em seus endereços e é considerado foragido.
Em conversa com a reportagem por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.
"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.
A operação mirou suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos e de envolvimento do PCC no financiamento de campanhas nas eleições para prefeitos e vereadores em 2024, assim como na atual disputa.
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Ao todo, 16 pessoas foram alvo das ordens de prisão e houve mandados de busca e apreensão em 18 endereços. A ação foi realizada em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
A Operação Vectura Corrupta foi realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, em cumprimento a mandados expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
Um dos presos é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025. A investigação apontou que ele teve encontros periódicos com José Daniel Satilite, outro investigado por suposta ligação com a facção, com a finalidade de tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte público.
A análise do aparelho de Satilite, ligado à empresa Translider, foi um dos pontos centrais da investigação. Paulo Korek, ex-presidente do clube de futebol Água Santa e apontado como proprietário da empresa A2 Transporte, também é alvo da investigação.
Tanto Paulo quanto a A2 negam os apontamentos.
"A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos", afirmou seu proprietário.