Nacional
Goleiro � preso aos gritos de assassino
Belo Horizonte, MG ? Sob vaias e gritos de ?assassino?, o goleiro Bruno Fernandes e o amigo dele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foram presos na tarde de ontem sob a acusação de ligação com o desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do atleta. A prisão temporária de cinco dias de Bruno e Macarrão foi decretada pela manhã pelo Tribunal de Justiça. Na véspera, um garoto de 17 anos, primo do goleiro, havia declarado à polícia que Eliza, sequestrada por ele e por Macarrão, está morta. O garoto disse ainda que a menina foi sequestrada a pedido de Bruno e que o jogador pediu para que eles resolvessem o ?problema?. A situação do goleiro, que nega as acusações, ficou ainda mais complicada após a polícia de Minas ter afirmado que o sangue encontrado na Range Rover de Bruno, usada por Macarrão e pelo garoto, era mesmo de Eliza. Policiais buscam restos mortais de Eliza | FOLHAPRESS São Paulo, SP ? A Polícia de Minas Gerais realizou até o início da noite de ontem buscas pelo corpo de Eliza Samudio, 25 anos, em uma casa em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte). A polícia encontrou vestígios de sangue em um carro que estava no local. Eliza, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, está desaparecida há cerca de um mês. Os policiais foram ao local após indicação do adolescente de 17 anos apreendido na casa do goleiro Bruno. Ele foi levado para Minas para acompanhar as buscas. A polícia precisou aguardar um mandado judicial para entrar no local. Policiais, bombeiros e funcionários do departamento de zoonoses tiveram que controlar dez cães da raça rottweilers para as equipes conseguirem entrar na casa, que seria de um ex-policial. ENTENDA O CASO BRUNO Desde o dia 4 de junho, a estudante paranaense Eliza Samudio (foto), de 25 anos, está desaparecida e o goleiro Bruno Souza, do Flamengo, é o principal suspeito. Eliza e Bruno tiveram um relacionamento no ano passado e desse enlace teria nascido um filho, que atualmente tem quatro meses de vida. Bruno, à época casado, não assumiu a paternidade da criança, embora tenha aceitado conhecê-la. Exames de paternidade estavam para ser feitos e uma discussão judicial pela pensão alimentícia do menor também está em curso. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a teria agredido para que ela tomasse remédios abortivos para interromper a gravidez. Em 24 de junho, a polícia recebeu denúncias de que Eliza havia sido vista no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG) e que teria sido espancada e assassinada por Bruno e mais dois amigos. O goleiro passou a ser suspeito do crime, buscas foram realizadas em áreas próximas ao sítio e também na propriedade de Bruno, mas nada além de roupas femininas, fraldas e uma passagem com nome ilegível foi encontrado. A ex-mulher de Bruno, Dayane Souza, chegou a ser presa por subtração de incapaz, quando o bebê foi encontrado na casa de conhecidos de Dayane, que havia negado saber o paradeiro da criança à polícia. Um dia depois, Dayane foi solta. Bruno alegou inocência em coletiva concedida após um treinamento. O jogador disse que viu Eliza pela última vez há quatro meses, quando foi reconhecer o filho e que a criança lhe havia sido entregue, em seu sítio, por um funcionário seu chamado Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como ?Macarrão?. Segundo ele, Eliza teria entregado a criança ao funcionário e pedido que levasse o bebê para Bruno, alegando ter que resolver problemas pessoais. Bruno encerrou a coletiva dizendo que torce pelo aparecimento de Eliza. Exames realizados em um dos carros de Bruno, uma Range Rover, detectaram a presença de sangue humano no banco de trás, mas ainda não se comprovou se as amostras são compatíveis com o sangue de Eliza. No dia 6 de julho, uma nova testemunha deu entrevista à Rádio Tupi. Um menor, de 17 anos, parente do goleiro, teria participado do seqüestro e do assassinato de Eliza. O menor teria dado uma coronhada na jovem, no interior do carro do goleiro, e Bruno teria pago R$ 3 mil para o corpo de Eliza ser desossado e enterrado por um traficante, em Minas Gerais. O menor foi encontrado pela Polícia Civil na residência de Bruno, na Barra da Tijuca, e foi levado para prestar depoimento. Durante o depoimento, ele confirmou a versão da coronhada, mas negou envolvimento de Bruno no crime.