Opinião
O pa�s sem chuteiras
Costuma-se dizer que em cada torcedor brasileiro, existe um treinador, um técnico. Ao mesmo tempo, diante da repercussão que obteve a Canarinha, conquistando cinco Copas, os especialistas e os nacionalistas asseveravam que a seleção brasileira significava ?o país de chuteiras?. Agora, diante do lamentável fracasso e da decepção que causou a milhões de brasileiros e ao mundo esportivo, o nosso arremedo de seleção não detém mais esse honroso privilégio de representar sua Pátria. Em verdade, abstraindo-se a expressão que deu início a este despretensioso comentário, somos forçados a reconhecer que o péssimo futebol apresentado pelo ?pernas de pau? convocados por um técnico forjado pela influência do eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não se resume simplesmente ao Dunga e sim aos dirigentes da entidade Nesta Copa, inúmeros ?experts? já prenunciavam o fracasso desde os primeiros momentos, confirmando-se diante do pálido desempenho da nossa Seleção nas eliminatórias. A era Dunga, felizmente afastada, mostrou que a humildade, o bom-senso, o equilíbrio e a coragem para contrariar interesses inconfessáveis são ingredientes essenciais para que um técnico possa realizar um bom trabalho e lograr o êxito que a empreitada requer. A Gazeta de Alagoas, como sempre fiel aos seus compromissos em divulgar os fatos na área esportiva, com realce para o futebol, em sua edição de domingo 4 de julho, intitulada; ?Os erros que eliminaram a seleção?, elencou sete falhas cometidas por Dunga, assim alinhadas: 1) pouca criatividade; 2) descontrole; 3) melhor defesa; 4) Felipe Melo; 5) mundo paralelo; 6) Kaká pela metade e 7) Dunguismo. Resumindo os itens acima, basta lembrar o que disse a ilustre equipe de reportagem diretamente de Porto Elizabeth, na África do Sul: ?O técnico implantou uma filosofia de trabalho na contramão de todas as tradições do futebol brasileiro. Criticou o individualismo, desprezou o futebol-arte e, pragmático, mirou exclusivamente o resultado. O Brasil teve poucos momentos de bom futebol?. Sem maiores indagações, o que se faz preciso com urgência, não é somente trocar de técnico é, preferencialmente, substituir os denominados cartolas que comandam a Confederação Brasileira de Futebol há mais de vinte anos, inclusive modificar o critério de escolha na eleição, que é de forma indireta, tendo a supremacia de eleitores coroados, que são os presidentes das Federações Estaduais. Quando fui presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Alagoas, enquanto advogado, já me posicionava nesse sentido, sem êxito, porque uma voz isolada. (*) É ex-presidente do TJD ([email protected]).