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Gest�o: o desafio da qualidade

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Vivemos um momento decisivo para as políticas sociais no Brasil, que nos últimos dez anos tiveram uma ampliação significativa na cobertura de bens e serviços para populações mais pobres. Percebemos que a política de assistência social no Brasil acumulou o suficiente para ter continuidade, mas vamos precisar de mudanças qualitativas para construir essa segunda etapa. Nessa transição, a gestão é a questão central, justamente onde se encontram os impasses mais decisivos. O primeiro desses impasses é a qualidade dos serviços. Depois de ampliada a cobertura de proteção social, e especificamente para a assistência social, coloca-se em questão a qualidade dos serviços. Essa, em geral, costumava ser baixa, mas isso está mudando. Com a implantação do Sistema Único de Assistência Social (Suas), apresentamos um projeto de serviço que atenda às demandas das populações mais vulneráveis; com isso, definimos o padrão e a forma de sermos cobrados. E seremos cobrados cada vez mais. Isso nos leva a outro impasse, que diz respeito à consistência entre a formação dos profissionais e as demandas dos serviços. Quem acompanha o processo de implantação das políticas no Brasil sabe o quanto mudou a concepção sobre as necessidades de gestão da área. Os profissionais passaram a incorporar no vocabulário palavras como avaliação de política pública, monitoramento e índice de gestão. Isso implica pensar os novos saberes que devem estar agregados à nossa percepção para que, além do diagnóstico, possamos intervir. Outro desafio estratégico que se apresenta é a integração intersetorial e intrassetorial. Penso que temos na assistência social dois grandes grupos de ações: bens e serviços. É com isso que respondemos às demandas e precisamos fazê-lo de forma articulada. É preciso ainda ter clareza de que, se não tivermos competência para alocar os recursos, não haverá orçamento que corresponda. Nesse ponto, é essencial ter em mente a quem se destina nosso trabalho. Precisamos conhecer profundamente o perfil da população brasileira, que está mudando rapidamente. Temos hoje mais gente em idade produtiva do que em idades não produtivas. Por volta de 2020, isso começará a se inverter, o que gerará uma demanda mais complexa do ponto de vista social. Felizmente, o País está enriquecendo e os recursos são crescentes. Pensamos que, no Brasil, tudo ocorre na vertigem dos acontecimentos. Conhecendo a nossa formação social, vemos que o País funciona em saltos; portanto, temos pressa e vontade de fazer. Mas isso é a melhor parte da história. (*) É PhD em epidemiologia.

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