Opinião
Resgatando a �tica
Pode-se garantir, sem risco de erro: o Corpo de Bombeiros é, dentre as instituições fardadas, a menos polêmica e praticamente uma unanimidade em termos do conceito positivo da opinião pública. As suspeitas recentes sobre o envolvimento de militares integrantes do Corpo de Bombeiros alagoano não devem nem podem nublar esse perfil exemplar da corporação. Isso não significa dizer que deva-se amenizar, passar a mão na cabeça dos supostos responsáveis ou mesmo varrer todo o lixo para baixo do tapete. O caso tem de ser apurado devidamente, até para evitar o aparecimento de ranhuras na imagem referencial desta instituição dedicada a salvar vidas. A denúncia do envolvimento de vários militares, de patentes diversas, numa suposta ação criminosa de desvio de donativos deve ser apurada com rigor e rapidez. Da seriedade e proficiência dessa investigação depende algo mais que a imagem dos bombeiros, pois restabelecer a confiança do público no movimento de solidariedade às vítimas da cheia é uma necessidade da cidadania. O pior que pode acontecer é ser questionada a seriedade de uma corrente solidária que envolveu todo Brasil e até o exterior em torno desse desastre que se abateu sobre Pernambuco e Alagoas. Equacionar esse problema e dar respostas precisas e transparentes é prioridade absoluta. Além de resgatar a ética para um acontecimento do passado recentíssimo, o completo esclarecimento do caso representa o melhor dos avais para a continuidade do processo de reconstrução do que foi destruído pela intempérie. Rigor total na destinação dos bens e recursos direcionados para os flagelados é a única garantia de que algo de significativo poderá ser feito para minorar a dor dos que muito perderam em função da inusitada força das águas. Resgatar a autoridade moral dos Bombeiros é, portanto, a tarefa do momento.