Opinião
Dist�ncias sociais
Índices e rankings proliferam com impressionante rapidez em todo o mundo, vez por outra se contradizendo, pelo menos em termos da primeira compreensão. Esta é a questão que se nos apresenta a serem justapostos o Índice de Gini (grau de desigualdade) e o Índice de Desenvolvimento Humano, pelo menos no caso brasileiro. Estudar essas contradições é essencial para o correto entendimento da realidade e das perspectivas de um país como o Brasil. No caso em tela, nosso País tem elevado de forma expressiva o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), entretanto, tem padecido de números vergonhosos no tocante ao Índice de Gini (onde são medidas as desigualdades em função das faixas de renda per capita). Divulgado anteontem, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o balanço mundial do Índice de Gini aponta a América Latina como a região mais marcantemente desigual do globo e o Brasil pessimamente situado neste ranking, ganhando, no perímetro americano, apenas do Haiti e da Bolívia. Antes de julgamentos apressados, os promotores da pesquisa informam sobre falhas no processo de ajuntamento de dados, pois vários países, especialmente os da África subsaariana, estariam representados por dados defasados em quase duas décadas. Mas em termos de América Latina e Brasil, a defasagem é bem menor e os dados mais confiáveis, possibilitando análises setoriais mais consubstanciadas. Em resumo, aqui a contradição é real, apesar de efetivamente estar crescendo economicamente e ampliando seu processo de inclusão social, nosso Brasil ainda é um país marcado pelo abissal fosso entre as camadas mais e menos favorecidas. Apesar dos avanços inegáveis alcançados na última década, especialmente nesses recentes oito anos, muito ainda temos por fazer para nos construirmos como uma democracia social.