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A Igreja Turcomena: testemunho e apelo

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Dias atrás, a Igreja no Turcomenistão teve sua existência reconhecida pelo governo daquele Estado. Naquele país asiático de cinco milhões de habitantes está presente uma comunidade católica composta exatamente de cem pessoas. Esse pequeníssimo grupo luta agora para obter permissão de construir o primeiro templo católico no país. O testemunho desse pequeno grupo cristão, que insiste em existir em meio a uma população predominantemente muçulmana, faz-nos refletir sobre um aspecto fundamental sobre a Igreja. Esta é uma realidade nascida da vontade do próprio Cristo, que convida os homens a ser Igreja. Ser cristão, portanto, é responder a um apelo vindo do alto. Seja na Europa das grandes catedrais, na China da Igreja clandestina ou no Turcomenistão da Igreja quase invisível, viver segundo o Evangelho é uma vocação. Ora, se ser cristão, ser Igreja é um dom de Deus, a Igreja não pode inventar a si mesma. Ela nada mais é do que um sinal de Cristo diante do mundo. Por isso, a fidelidade ao testemunho diante das perseguições, a insistente ação evangelizadora e a incessante ação social no mundo afora. A Igreja não pode ser uma realidade fabricada, nascida da vontade humana, tampouco pode anunciar outra coisa a não ser o evangelho da vida. Outro aspecto que emerge do testemunho incansável dos católicos do Turcomenistão e da sofrida oficialização da Igreja Turcomena é a questão da liberdade religiosa e da perseguição aos cristãos, principalmente nos países de tradição muçulmana. Se os muçulmanos gozam de respeito e liberdade no Ocidente, o mesmo não se verifica nos países sob o domínio do islã. Duras restrições são impostas aos cristãos na vida pública. Na maioria dos países islâmicos, um muçulmano convertido à fé cristã, somente pode vivê-la escondido do Estado. E não poucas vezes, os cristãos são barbaramente assassinados, vítimas do ódio e da intolerância religiosa. Diante desse quadro, o que fazem os governos dos países do Ocidente? Calam-se numa omissão gritante. Na ditadura do politicamente correto, falar publicamente qualquer coisa contra a fé alheia é proibido ? e deve sê-lo realmente. Porém, quando se trata da perseguição aos cristãos, a questão é tratada como problema religioso, não sendo competência dos estados laicos. A liberdade religiosa é um bem inalienável cuja semente foi lançada pelo Cristianismo na nossa cultura. Mas somente faz sentido falar de liberdade na verdade e na igualdade. Os católicos turcomenos são um grito silencioso, mas eloquente de verdades que não se pode olvidar. Com todo certeza, conforme nos diz o livro do Apocalipse, seus nomes estão escritos no livro da vida (cf. Ap 21,27). (*) É psicólogo.

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