Opinião
Insanidade abjeta
Mais um nome para ser incluído na galeria das vítimas do terrorismo internacional: Michel Germaneau. Francês, engenheiro aposentado, aos 78 anos continuava dedicado a causas humanitárias. Sequestrado no Níger em abril deste ano, Germaneau estava trabalhando como voluntário no Norte da África, onde coordenava as obras de construção de escolas. Segundo os bandidos que o sequestraram, a motivação de tamanha covardia contra um cidadão pacato e desarmado teria sido uma represália a um ataque feito pelas forças armadas da Mauritânia contra bases da Al-Qaeda no Mali. Essa ação militar mauritana teria tido o apoio logístico da França, daí a ?vingança?. Perde sentido toda e qualquer questão que possa vir a ser levantada a partir de tamanha violência. Pouco importa se o ataque dos mauritanos foi certo ou errado, se o apoio francês seria apropriado ou não, se o governo da França negociou ou não a libertação do engenheiro. O fato, inquestionável, imperdoável, é a fria execução de um cidadão inocente, e mais grave ainda, ser essa vítima um militante das causas humanitárias, um homem que, aos 78 anos, abdicou da tranquilidade de sua aposentadoria para continuar a trabalhar em benefício dos mais necessitados. Pouco importa também buscar falhas no comportamento da vítima, se teria descuidado de sua segurança pessoal, se teria sido filiado a tal ou qual corrente ideológica (ou teológica). Nada disso pode atenuar, muito menos justificar, tamanha selvageria. Verdade é que o mundo já está calejado com selvagerias, vide o 11 de setembro ou outro qualquer exemplo colhido em atentados que trucidam vidas aos montes. Verdadeiro é, entretanto, que o terror não pode ser banalizado jamais, quer seja nos massacres de milhares, quer seja no trucidamento de dezenas, quer seja na execução de uma única pessoa.