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Opinião

Visita � terra dos girass�is

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Acabamos de deixar Paris envolta na neblina fria do começo da primavera de 1982, rumo à União Soviética. Num instante, somos engolidos pelas espessas nuvens cinzentas que nos isolam no espaço, mas logo vislumbramos um céu azul e um sol brilhante, quando alcançamos os nove mil metros de altitude. Estamos dominados por uma curiosidade inédita de conhecer esse país, cuja história teve uma expressão tão significativa, não só para os povos que lhes habitam as fronteiras, como para todas as nações do mundo. Representando uma força que muito tem perturbado o mundo capitalista. Já conhecíamos outros países dominados por regimes socialistas, mas a Rússia foi o berço do comunismo, implantado com o sangue de toda uma aristocracia. Regime que tem sido sempre motivo de controvérsias e incompatibilidades, sobretudo por seu radicalismo, pelo aspecto agressivo e impiedoso do sistema. Belo na sua essência, porém impossível na sua prática, levando em consideração a fragilidade do caráter dos homens, incapazes de dirigir uma nação sob o totalitarismo sem se aproveitarem das oportunidades oferecidas para a corrupção e a chantagem. Sabemos muito sobre a história da Rússia e de seus monarcas impiedosos, que, indiferentes à miséria do povo, formavam uma das cortes mais suntuosas da Europa. Alguns dos czares e czarinas foram famosos por sua prepotência e maldade e pela devassidão de seus reinados. Ivã, o Terrível; Catarina, a Grande: poderosos soberanos, grandes estadistas, mas cruéis e devassos. Muitos outros monarcas marcaram sua passagem por atos nada recomendáveis. A história de Rasputim, um monge dotado de poderes paranormais, porém de conduta imoral, cujo misticismo dominou totalmente a corte e a família de Nicolau II, muito contribuiu para a queda do Império Russo, deteriorado por guerras e pelo abandono do povo. Havia, realmente, um total desprezo pelos plebeus, em cujo seio nasceu Lênin, o líder da revolução popular que derrubou a monarquia. Afinal, aterrissamos no aeroporto de Moscou. Um pouco amedrontados pelas histórias contadas por pessoas que já haviam visitado o país, aproximamo-nos da polícia de imigração. Não houve exagero no que nos haviam dito, realmente fomos revistados e inquiridos insistentemente sobre vários itens, inclusive tivemos de declarar todo o dinheiro que levávamos e teríamos de prestar contas do que gastamos na saída do país. Para isso nos forneceram um papel apropriado. Depois foi a vez da alfândega, que passou nossas malas pelos raios-X, abrindo aquelas que revelavam algum objeto de aspecto suspeito para eles. Nisso levamos pelo menos uma hora. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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