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Opinião

A escrita e o livro

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Há uma profusão de datas sempre lembradas: Dia das Mães, dos Pais, Avós, Dia do Meio Ambiente, sem esquecer o Dia dos Namorados, além de muitas outras datas, que merecem ser recordadas. Dessas, algumas merecem homenagens, não apenas de um dia, mas, de um ano inteiro. O dia internacional consagrado aos escritores, a todos aqueles que se dedicam à escrita passou sem alarde e sem referências. Quando penso em escritor, penso em livro e nos baixos índices de leitura no Brasil. Numa reunião na Casa da Palavra, na qual o professor Ricardo Nogueira discorria sobre a ?Vida e obra do Padre Antônio Vieira?, lembrei-me de uma definição desse famoso orador sacro sobre o livro: Quem não lê, não quer saber, quem não quer saber, quer errar. Há que incentivar a leitura, na família e na escola, como a viagem prodigiosa que abre asas ao pensamento e abrangentes horizontes culturais. Gosto de um texto do escritor argentino Jorge Luiz Borges: ?Dos instrumentos do homem, o livro é, sem dúvida, o mais assombroso. Os demais são extensões do corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões de sua vista; o telefone é a extensão de sua voz; depois, temos o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: é a extensão da memória e da imaginação?. Como esse trecho foi escrito há 30 anos, não havia internet, satélites, redes de transmissão instantânea de imagem, e-books. Mas, nem por isso, o livro impresso perdeu o seu valor. É companheiro indispensável de muitas horas de lazer. Releio, nesta semana, a obra Para gostar de ler, uma coletânea de contos do escritor e médico Guimarães Rosa. Como em seus outros livros, os textos estão repletos de palavras novas, recriadas, plenificadas em seu sentido original. No conto A terceira margem do rio ele narra a história de um homem que mandou fazer uma canoa e nela partiu rio adentro, não mais voltando à terra. As especulações foram muitas. O conto por ser uma narrativa curta faz o leitor pensar, imaginar detalhes e circunstâncias, tentando antecipar o fim que, na maioria das vezes, o autor deixa inacabado. É desafio à imaginação criadora. Sem dúvida, o livro alcança o infinito. Escritor e livro se confundem. No calendário não merecem somente um dia, merecem envolver-se no tumultuado caleidoscópio de nosso dia a dia. Boa razão tinha Monteiro Lobato: ?Um país se faz com homens e livros?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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