Opinião
Est�mulo � escrita
Alegro-me, quando vejo neste espaço artigos assinados por estudantes. Mais, ainda, no caderno mensal Saber, a publicação de poesias, poemas e sonetos de adolescentes. Essa oportunidade que a Gazeta dá serve de estímulo para que esses jovens continuem se aprimorando, até pela sensação de ver publicados num matutino desta envergadura, seus trabalhos. Vivi essa experiência aos quatorze anos e hoje, aos sessenta e seis, sinto a mesma expectativa que sentia, ao acordar, de abrir a Gazeta para ver, em suas páginas, meus escritos. Estudava no Colégio Diocesano, hoje Marista, velho casarão da rua do Macena, agora Cincinato Pinto. Nunca fui dos melhores alunos, pois era ?cobra?, passava arrastando-me. Porém, havia uma coisa interessante, à época, que era a inclusão no currículo escolar do ditado e da dissertação escrita. Aqueles que tivessem criatividade e queda para escrever tinham a chance de melhorar suas notas. Hoje, praticamente, acabaram com isso. Como música só se aprende tocando, escrever, só escrevendo. Na volta das férias, era normal que um Irmão Marista, saliente-se grandes educadores e homens de formação professoral invejável, pedisse que descrevêssemos como foram nossos dias de folga. A maioria gostava de pôr no papel suas estripulias, suas viagens e até aproveitava para criar imagens que melhor ilustrasse as narrativas. Alguns não ficavam por aí. Queriam mais. Participavam do Grêmio, onde também tinham espaço para extravasar essa tendência. Mas, quem escreve quer ser lido por um maior número possível de leitores. É aí que entra a Gazeta nesta história. Vários colegas de turma, dentre eles Carlos Jorge Bezerra de Barros, Isnaldo Bulhões, hoje, respectivamente, procurador de Justiça aposentado e presidente do Tribunal de Contas e eu fazíamos parte do grupo que enviava para este jornal matérias, cobrindo as atividades esportivas daquela casa de ensino. Sempre com o título: ?Esportes no Colégio Diocesano?. Revendo exemplares de cinquenta anos passados, saboreei várias delas. Após alguns meses, tive o privilégio de assinar uma coluna exclusiva, intitulada ?Mosaicos Esportivos?, onde podia comentar atividades esportivas no âmbito geral, além das do colégio. Mas, uma pena, foi efêmero. Mudança de colégio, início de trabalho, tudo concorreu para afastar-me do que tanto gosto. Graças a Deus, desde 2006, voltei a minha condição de, ansioso, esperar a publicação destas, hoje, saudosas linhas. Foi como coçar; bastou (re)começar. Que esse órgão continue abrindo espaço para a juventude que gosta de escrever. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).