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Opinião

Mais uma derrota

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Acompanhando os verões, as estatísticas sobre o dengue em Alagoas são eloquentes e expõem uma realidade de crescentes revezes para a saúde pública. O mais recente boletim divulgado pela Secretaria Estadual da Saúde indica um crescimento de 845% nas 28 primeiras semanas de 2010, em comparação com o mesmo período do ano passado. Uma explosão. A expansão da doença alcançou 19.758 vítimas e matou nove pessoas (mais 13 óbitos estão sob investigação). Números impressionantes. Impressiona ainda o fato de que todos os 102 municípios alagoanos estão assinalados por ?infestação predial? e ocorrências ?suspeitas? de serem dengue. Três dúzias das cidades do Estado estão em ?situação epidêmica?. E a Capital é a grande campeã nos registros da doença, com 8.345 casos assinalados. Os problemas mal resolvidos da urbanidade no Brasil, especialmente em Alagoas, podem ser identificados como potencializadores do alargamento da incidência da moléstia, em função da multiplicação das condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor. Essas ?incubadoras? se expandem não apenas nas regiões mais pobres, mas crescem em todas as áreas sociais, produto ora da ignorância(mesmo em faixas privilegiadas), ora da falta da cidadania pura e simples. Ao mesmo tempo em que falta competência do poder público em definir e executar políticas consequentes no combate ao vetor de transmissão da dengue, abunda o desinteresse em colaborar com este esforço. Têm sido comuns as denúncias de dificuldades interpostas por proprietários de imóveis (inclusive, alguns com piscinas) à ação dos agentes de saúde. Novas políticas precisam ser implementadas com urgência, para que no próximo verão a dengue não vença novamente.

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