Opinião
Lixo e cidadania
Consequência direta do processo de industrialização e do consumo de massa, o lixo transformou-se em um grande problema contemporâneo. Seja orgânico ou inorgânico, biodegradável ou não, os resíduos transformaram-se num dilema internacional. E a situação fica ainda mais complicada quando esses resíduos, em seu descarte, multiplicam as possibilidades de surgimento de novos problemas. Este é o caso dos pneus. Além da questão da poluição em si, apesar dos componentes biodegradáveis, esses objetos tem se convertido em verdadeiras incubadores do indesejável Aedes aegypti. Graças à reportagem no portal Gazetaweb, foi identificado, e posteriormente eliminado, um ?lixão de pneus?, localizado numa das áreas mais movimentadas e povoadas de Maceió, o Tabuleiro do Martins. Infelizmente, têm-se perdido muito tempo em debates, absolutamente improdutivos, sobre de quem seria a responsabilidade pelo destino final de certos produtos inservíveis, como pneus e componentes eletrônicos. É verdade que merece ser criticada a deseducação e falta de cidadania de quem despeja lixo de forma irregular. Mas essa crítica não pode ser usada como desculpa para a permanência, quiçá perenidade, dos depósitos feitos irregularmente. A obrigação do poder público é clara e insofismável, devendo o órgão responsável pela limpeza pública recolher os resíduos cuidando de dar-lhes a destinação adequada. Isto feito, aos infratores deve ser aplicada a legislação. É bem-vindo, portanto, o mutirão que anunciou o recolhimento de cerca de 80 toneladas de pneus descartados em Maceió. E mais aplaudida ainda será uma política mais rigorosa na fiscalização, identificação e punição dos responsáveis por descartes irregulares de lixo, especialmente quando o volume implicar em riscos maiores para a população.