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Nº 5715
Opinião

Dai-nos f� e alegria

DOM EDVALDO G. AMARAL * O povo cristão da querida Maceió canta neste Dia de sua Padroeira: “Protegei-nos, ó Mãe de bondade, Dai-nos paz, dai-nos fé e alegria”. São esses os três grandes pedidos à Virgem Mãe, Senhora dos Prazeres: paz, fé e alegria. Co

Por | Edição do dia 27/08/2002 - Matéria atualizada em 27/08/2002 às 00h00

DOM EDVALDO G. AMARAL * O povo cristão da querida Maceió canta neste Dia de sua Padroeira: “Protegei-nos, ó Mãe de bondade, Dai-nos paz, dai-nos fé e alegria”. São esses os três grandes pedidos à Virgem Mãe, Senhora dos Prazeres: paz, fé e alegria. Comecemos pela alegria. Esse título de Nossa Senhora dos Prazeres evoca em primeiro lugar as alegrias de sua vida que, ao lado de suas dores, constituíram o tecido da existência daquela que foi escolhida por Deus para ser a mãe de seu filho na terra. São suas grandes alegrias, como a Anunciação do Anjo, que lhe comunicou ter sido escolhida para Mãe do Redentor (Lc 1, 26 ss), suas bodas com José, o nascimento de Jesus, seu primeiro milagre nas Bodas de Caná pela intercessão de Maria, a ressurreição e ascensão de Jesus ao céu, a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja nascente e outras mais. São essas alegrias de Maria que celebramos com o título de Senhora dos Prazeres. Pedimos neste dia a Maria a paz. Historicamente, o título mariano de Senhora dos Prazeres prende-se às vitórias na luta contra o chamado invasor holandês, nas duas batalhas travadas aqui perto do Recife, nos montes Guararapes, em 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649. Na primeira, lutaram 4.500 flamengos, sob o comando de Sigismundo Von Shcoppe contra 2.200 luso-brasileiros, e, na segunda, 3.500 homens, comandados pelo coronel Van Den Brink, que pereceu em combate, enfrentaram 2.600 patriotas brasileiras e portugueses. Apesar da absoluta superioridade técnica e numérica – quase o dobro – a derrota dos batavos foi espetacular, com 1.000 baixas em cada uma das batalhas. O nosso comandante da primeiro vitória foi o general Francisco Barreto e a segunda teve o comando de André Vidal de Negreiros, João Fernandes Barreto e a segunda teve o comando de André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, Felipe Camarão e Henrique Dias. Esses bravos comandantes invocaram a proteção de Maria e a ela confiaram o êxito das lutas em defesa da integridade da colônia portuguesa. Foi aí que nasceu em Pernambuco a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres. Ela foi invocada na peleja pelos combatentes que, em ação de graças, lhe erigiram o templo votivo no município de Jaboatão dos Guararapes, onde ainda hoje se venera Maria sob o título de Senhora dos Prazeres. Alagoas fazia então parte da Província de Pernambuco até 1817, e assim a devoção a Nossa Senhora dos Prazeres para aí foi transportada e radicou-se no coração do povo alagoano, como a padroeira da então Matriz de Maceió, que, em 23 de agosto de 1901 foi constituída Catedral da Diocese das Alagoas, criada naquele dia. O invasor holandês atentava contra a cultura latina e os costumes ibéricos, nos quais a colônia portuguesa era formada. Opunha-se à tradição católica da nossa gente, ameaçada pelos conquistadores holandeses de tradição protestante. A paz que o povo cristão implora à Virgem dos Prazeres afigura-se como o escudo protetor dessas duas riquezas morais e culturais. Pedimos a Maria a fé. Uma fé praticada e viva neste novo século, com ardor e coragem, lançando-nos para novas vitórias nos mares tempestuosos do mundo de hoje. Seguindo o apelo e fé, como fizeram nossos antepassados, com a proteção da Mãe de bondade, que nos dá paz, fé e alegria. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ

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