Opinião
Pela energia limpa
Num mundo cada vez mais marcado pela desunião e pelos desencontros internacionais, vale a pena saudar como caminho positivo o projeto que une sete integrantes em torno de um ambicioso projeto para geração de energia limpa. Dos sete membros desse consórcio, três são potências militares (Estados Unidos, Rússia e China), um é referência de desenvolvimento (Japão), outro é franco ascendente à condição de potentado econômico (Índia). Completam o quadro a Coreia do Sul, com pouca expressividade em relação aos demais, e a União Europeia, conglomerado de nações que se ombreia com o poder das grandes potências. Pois esse agrupamento está deixando de lado as disputas geopolíticas e concentra esforços e recursos na busca por uma revolucionária forma de geração energética, a fusão nuclear. Considerada 100% limpa, esta forma de produzir energia ainda é uma teoria. O projeto é transformá-la em coisa concreta e prática. Como primeira demonstração dessa perspectiva, a proposta é gerar 500 megawatts (MW) a partir de 50 MW. É isto mesmo, a meta é chegar a um experimento que possibilite gerar mais energia que a quantidade fornecida como alimentação inicial do processo. Reator Termonuclear Experimental Internacional é o nome do programa, cuja sigla é Iter. E para tocar esses estudos os países membros decidiram, nesta semana, investir mais US$ 21 bilhões com o objetivo de iniciar a geração de energia 100% limpa até 2027. O mundo deve torcer para que dê certo. Mas, enquanto isso, países como o Brasil precisam ter clareza de investir na geração de energia nem tão limpa assim, mas de significativa importância econômica e ambiental, como os combustíveis renováveis de origem vegetal. Seguir apostando no etanol e nos demais biocombustíveis é uma ação vital para o futuro do Brasil e para nosso melhor posicionamento no mundo.