Opinião
Um legado hist�rico
Sexta-feira, 30 de julho de 2010: Alagoas se despediu de um de seus filhos notáveis ? Pierre Chalita. Pintor, arquiteto, restaurador, professor de Arte, colecionador, cidadão ? conceitos vividos por ele sempre de forma maiúscula, mais das vezes de forma polêmica, mas sempre nos mais alto nível. Seu maior legado é exatamente o do aprofundamento da cidadania cultural, soerguida por ele de uma forma única, pelo menos na história recente alagoana (quiçá brasileira) quando destinou todo seu variado acervo ao público através da doação (ainda em vida e plena saúde) integral à Fundação Pierre Chalita. Em parte incompreendido em vida por seu afã em colecionar peças da arte antiga, respondeu com sabedoria irretocável às críticas injustas que lhe foram assacadas e toda a sua coleção, graças exatamente a seu arrojo pessoal, fornece à posteridade o melhor e mais completo panorama da história das artes em Alagoas, inclusive e especialmente, a chamada Arte Sacra. As milhares de peças integrantes das coleções pacientemente montadas por Chalita precisarão receber dos poderes públicos a mesma dedicação que o pesquisador teve por elas, pois a manutenção dos acervos históricos tem seu custo, exige permanente recursos materiais e humanos. O mais importante, porém, está feito e é o resultado de um trabalho ciclópico, realizado por toda uma vida. E oito décadas foram vividas intensamente por este demiurgo que começou a juntar peças de valor cultural desde os oito anos de idade. O resultado dessas, pelo menos, sete décadas de acumulação de valores artísticos e culturais precisa ser reconhecido e assumido por Alagoas. Aos poderes públicos deve unir forças a iniciativa privada e, ao fim e ao cabo, valorizar a herança legada por Pierre Chalita para toda a população alagoana, que é um resumo didático de nossa própria história.