Opinião
Um dever de casa
Mesmo aos corações mais endurecidos chocou a notícia do frio assassinato de uma professora no interior de uma escola pública no município de Junqueiro. A recorrência das notícias sobre crimes de mando no Estado finda por empedrar corações e atirar cada vez mais pessoas à desesperança em que algo de novo, um dia, possa se apresentar nesta seara. Mas causou espécie, mesmo aos mais calejados pelo testemunho da impunidade, o trucidamento da professora Maria Lúcia Lima da Silva. No episódio sangrento, mais um, choca a frieza com que o crime foi cometido. Segundo os relatos, os assassinos usaram da boa fé da vítima e de suas colegas ao se identificarem como pretendentes a uma vaga na escola. Atendidos gentilmente, solicitaram um copo d?água e, quando viram-se só com a professora, a assassinaram covardemente, sem sequer se importar com as crianças que presenciavam a cena terrificante. Ontem a polícia informou que já possui um foco para seguir adiante com a investigação, e um período de 30 dias foi reafirmado como sendo o prazo para o equacionamento do crime. São informações positivas, demonstrando iniciativa e disposição de reação por parte da polícia. Infelizmente, uma série de crimes rumorosos ainda sem esclarecimento estimula o ceticismo na população, mas sempre é justificável um voto de confiança às autoridades, afinal a povo quer, almeja por, respostas à altura. Assassinos de aluguel continuam a exercer seu mister com uma desenvoltura que impressiona pela ousadia, covardia e poder mortal. Pistoleiros, em sua ação incontida, mantêm vivo um passado que, há muito, Alagoas e o Brasil deveria estar extinto. Inocente, uma professora foi morta enquanto exercia sua atividade; esclarecer esse homicídio deve ser encarado como um dever de casa, primário, para a polícia alagoana.