Opinião
Senilidade precoce
Ontem o noticiário do dia destacou a informação de que, mais uma vez, fugas haviam sido registradas do presídio considerado de ?segurança máxima?. Fugidiça tem sido a história do presídio Baldomero Cavalcanti. Edificado a preço mais que salgado, segundo informações da época, para ser um modelo para a máxima segurança do sistema prisional brasileiro, a ?casa de detenção? (como seria chamaria antigamente, antes das maquiagens do políticamente correto) parece só reter quem assim o deseja. Quem almeja o contrário parece não encontrar o que possa deter a disposição de empreender fuga. Daquele endereço já se fugiu pelas mais variadas maneiras, seja por túneis escavados aparentemente sem maiores dificuldades até serrando grades, como desta recente evasão. Dizem que até pela porta da frente já teriam escapulido alguns ? pode ser boato. Fato é a presença recorrente na mídia das notícias de fugas. Esta mais recente escapadinha, de onde se registram três fugitivos que não teriam encontrado maiores óbices em serrar as grades, nem muito menos em vencer os que deveriam ser muros de isolamento do sistema prisional. Não são problemas novos, nem muito menos parecem ser questões que mudanças administrativas possam ser solução. Tudo indica que se trata de falhas estruturais, enraizadas desde a concepção, ou pelo menos, cravadas a partir da construção do presídio ? afinal, onde estão executados os requisitos mínimos para um presídio (mesmo que não seja de segurança máxima)? Na verdade, tudo parece indicar que o imóvel sequer é equipado com condições mínimas para reter seus hóspedes. O que se impõe é um novo projeto para a estrutura física do sistema prisional alagoano. O atual equipamento, que não deveria ser considerado velho, comprova-se caduco, numa senilidade precoce que ameaça a todos.