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Opinião

Segundo Aldo Rebelo

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Não deu ainda para entender o porquê de tantos elogios da Veja ao deputado federal Aldo Rebelo pelo resultado alcançado na revisão do Código Florestal. As Páginas Amarelas da revista mostram que o deputado até tentou fazer a coisa certa e visitou 64 localidades para ver de perto como vivem alguns agricultores e pecuaristas brasileiros. Para não fugir ao papel de apóstolo lulista, reconheceu a influência de ONGs, criticou as mais sérias e deixou de mencionar as que vivem penduradas no Palácio do Planalto apoiadas pelo PT, obtendo largas vantagens financeiras do governo federal, como noticia a imprensa. As falhas graves do chamado novo Código Florestal brasileiro são defendidas pelo deputado porque ele demonstra não conhecer o que é gestão ambiental, gestão de recursos hídricos e, em redundância, danos e degradação ambiental. Se tivesse assistido ao programa Globo Rural dos dias 25 de julho e 1° de agosto de 2010 veria matérias didáticas e simples, onde agricultores de verdade e jovens, às vezes crianças, mostram como é importante proteger as margens de córregos e rios com árvores, além de outras práticas, para criar ambientes propícios ao desenvolvimento sustentável. O deputado, por alguma inexplicável razão, teima em dizer que as margens dos rios devem ficar acessíveis a todos e de toda forma, lembrando que foi criado vendo as famílias plantarem suas culturas nas margens dos rios, na bela Viçosa, em Alagoas. Ora , bastaria o deputado pensar um pouco e constataria que a degradação ambiental de hoje, também em Viçosa, reflete direta e objetivamente o uso de práticas agrícolas que causaram erosão, assoreamento de rios e desmatamentos, tudo isso provocando poluição e contaminação e fazendo com que, por exemplo, no rio Paraíba, em Viçosa, não seja possível pescar mais pitu, um camarão de água doce. Ele deve ter visto margens de rios desmatadas e desprotegidas, pés de cana-de-açúcar invadindo rios e o gado criando todas as condições para aumentar o assoreamento. Apesar das discordâncias que o festejado texto provoca, é bom saber que há alguém dedicado a discutir as falhas que o Código Florestal possui, e o deputado, apóstolo de Lula, apesar da visão míope, tem ainda como ajudar, pois é um homem afeito ao diálogo. Não é razoável imaginar que para promover a agricultura familiar, justa opção, deixe de se considerar o que tecnicamente precisa ser feito para que o campo possa ser utilizado por todos, grandes e pequenos produtores, de forma duradoura e sustentável. Por que o deputado Aldo Rebelo não foi atrás das causas de tantos desmandos na gestão ambiental e de recursos hídricos? Por que não impôs nas letras do código a necessidade de serem criados e aplicados os Planos de Gestão de Recursos Hídricos? Ou de manejo ambiental? Ou os zoneamentos agroecológicos? Por que ele não assume uma brava luta a favor da profissionalização da gestão do Ibama? Por que não se preocupou em deixar claro que, antes de tudo, as agências reguladoras ligadas ao meio ambiente, a recursos hídricos e a agricultura devem funcionar com independência e administradas por profissionais competentes? Não há uma luta contra o uso dos recursos naturais, há, sim, uma necessidade vital de que o uso desses recursos se dê racionalmente, e há meios técnicos para isso. Ainda há tempo, deputado! (*) É diretor Nordeste da Abes.

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