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Touradas e pedradas

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Estando certa vez em Madrid e coincidindo com a temporada das touradas, convenci Ivanelza a irmos à Plaza de Toros de Las Ventas, a mais tradicional arena espanhola. Tinha grande curiosidade pelo espetáculo, precisava tentar entender por que Hemingway, sendo um intelectual tão sensível e humanista, fora tão fanático pelas corridas de touros. Fomos a Las ventas e vi uma dos espetáculos mais marcantes de minha vida. Ao final ficou claro para mim que as touradas são uma tradição brutal sim, mas que tanto os toureiros como o fanático público que ali comparece, anseiam que o espetáculo leve o mínimo de sofrimento ao animal; os toureiros que causam qualquer sofrimento desnecessário ao gigantesco touro não são perdoados pelo público, que os vaiam impiedosamente. O melhor toureiro é o que além da elegância nos atos, corre mais perigo frente aos imensos e pontiagudos chifres e, principalmente, poupa ao máximo o touro, sacrificando-o com apenas uma firme e rápida estocada entre os poderosos chifres. Dificilmente os nossos matadouros propiciam um abate mais rápido e indolor aos animais sacrificados para abastecer as muitas churrascarias do País e acredito, as nossas vaquejadas causam muito mais humilhação e sofrimento aos animais ali perseguidos. Mesmo assim acho que a proibição das touradas na Catalunha é um grande avanço no que tange principalmente ao sacrifício mais rápido e indolor dos animais que enchem os pratos e as panças dos seres humanos. Já a Sharia, legislação islâmica fundamentalista que permite a execução por pedradas das mulheres adúlteras no Irã, tem como filosofia o oposto das touradas: a mulher que vai ser sacrificada deve sofrer o máximo possível: as pedras arremessadas devem ser grandes, mas não tão grandes que a matem rapidamente; o serviço tem de ser lento o suficiente não só para causar o máximo de sofrimento à pecadora, como principalmente para desestimular outras que tenham a tentação de pular a cerca. Prática pré-medieval que tem tudo a ver com o regime tirano, absolutista e retrógrado de Ahmadinejad, que abusa do terror de Estado contra a desprotegida população e, mesmo assim, não deixa de contar com o apoio de Lula, obcecado com a Secretaria Geral da ONU. O presidente Lula, sob as justificativas de que o mais importante são os negócios e que é preciso respeitar as leis dos outros países, além de na prática defender a tirania iraniana, despreza a sua própria história, repleta de manifestações pela defesa dos direitos humanos ao tempo em que era oposição. (*) É médico e professor da Uncisal.

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