Opinião
Religi�o e ci�ncia
Firmou-se a convicção de que não se deve discutir assuntos relativos aos conceitos religiosos, políticos e esportivos, sem que haja atritos e posições divergentes, o que é compreensivo até certo limite, abstraindo-se os ataques que podem atingir patamares intoleráveis Em todos os casos, salvo honrosas exceções, as pessoas não toleram ficar em posição inferior ao interlocutor, porque supervalorizam a sua parte, imaginando que, se concordarem em algum ponto da discussão, estariam traindo sua consciência e a sua idolatria. Apenas uma hipótese pode servir de exceção, quando se cuida da área política. Com efeito, dependendo das circunstâncias, tendo em vista a filiação e o programa partidário, nem sempre o candidato pode seguir sua pessoal preferência. Como católico praticante, temente a Deus e sua Sagrada mãe, N.Senhora, de quem sou devoto pleno, arrisco-me a discordar, em situação diferente, daquele que sustenta a tese de que a ciência coloca-se em plano superior à religião. Recentemente, sem descer a detalhes e sem ter alimentado o diálogo, ouvi de um colega a opinião de que sem a ciência a vida não florescia, não tinha sentido. Mais ainda: que ela, a ciência, estava alcançando a perfeição, (foi o que entendi), porque criava, recriava e comandava o mundo! Veja-se os exemplos permanentes da força da religião e da presença do Pai Eterno em nossas vidas. Mesmo aqueles que se declaram incrédulos, nos momentos difíceis por que passam, apenas uma frase lhes chega à boca: Valha-me Deus! Nunca ninguém, quando em crise, pede a ajuda do Diabo. Vejo ocasião para registrar a manifestação pública da famosa apresentadora de TV, Hebe Camargo, agradecendo à Nossa Senhora de Fátima o milagre de sua cura, em face do câncer que ela enfrentou com invejável coragem. A propósito, senti na pele, há poucos meses, o quão é bom ter Deus e sua Mãe no coração: Um filho e uma nora escaparam ilesos de acidente de automóvel e, ainda, logo depois, do forte terremoto de final de fevereiro, no Chile, em viagem turística, cuja narrativa e comprovação com fotos e documentos mostrou o extremo grau de perigo a que foram submetidos (inclusive uma irmã e cunhado da nora, também médicos). Aqui, sem nenhuma sombra de dúvida, um ser superior os socorreu, evitando uma tragédia em todos os sentidos lamentável. Portanto, ao expressar, agora, por via deste despretensioso comentário, o meu agradecimento e da minha família ao Deus Infinito e a N. Senhora, pela graça concedida, que transformo em milagre, embora, pecador, talvez não estivesse à altura de tamanha recompensa! É interessante que as pessoas aflitas e que perderam entes queridos ou que se encontram vivenciando situações desagradáveis, pensem mais um pouco na necessidade de abrigar o arquiteto do universo em seus corações. Não visualizo outro caminho. Somente através da oração e da caridade (Santo Agostinho pregava que é o mais curto percurso para se alcançar o céu), é que poderemos vencer os obstáculos e saborear o encontro com a eternidade. (*) É membro da Academia de Magistrados.