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A pol�mica da palmada

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O assunto é sério, mas inicio este artigo com uma piada contada no meio médico. Era assim: ?Pai, o meu bisavô batia no meu avô? Batia. ? O meu avô batia no senhor? Batia. ? O senhor bate em mim?. E pensativa, concluiu: ?não será o momento de acabar de uma vez por todas com esse sofrimento hereditário?? Eu sempre ouvi ditados populares como esses: ?palmada não é santo, mas obra milagres? ou, ainda, ?que um copo d?água e uma palmada não fazem mal a ninguém?. Um polêmico projeto de lei proíbe palmadas, beliscões e outros castigos físicos aplicados em crianças e adolescentes. O debate tem-se estendido entre pais, educadores, sociólogos e psicólogos que mostram tantas opiniões diferentes e, até certo ponto, pertinentes, que têm tornado o assunto cada vez mais controverso. Vejamos: ?Pesquisa realizada na semana passada em todo o País revela que a palmada está incorporada à cultura nacional, vista como um instrumento tradicional e aceitável no esforço de educar crianças?. 58% dos entrevistados admitem a palmada. Eu já tive a oportunidade de manifestar aqui, neste espaço, minhas reflexões sobre a educação dos filhos e sempre tenho buscado seguir uma linha que privilegia a sabedoria e o diálogo para resolver os conflitos domésticos. É possível impor limites, ensinar, orientar, sem precisar bater; mesmo porque é tênue o limite entre a palmada como recurso educativo e a violência física, que marca e dói. Muitas mães protestaram quando escrevi esse artigo. Uma indagação tem sido ouvida: é justo ao Estado interferir na vida doméstica, na privacidade da família, retirando a autonomia dos pais em decidir, no seu lar, qual a melhor forma de conduzir a educação de seus filhos? A polêmica torna-se ainda maior quando há uma resposta pronta dos defensores do projeto: ?não se trata de uma intromissão indevida, mas de assegurar o direito das crianças de não serem agredidas por quem deveria protegê-las?. As crianças, as mais e menos rebeldes, gostaram da notícia, pois veem ali uma forma de conter aquelas temidas palmadas tantas vezes ameaçadas. Por outro lado, alguns adultos que levaram palmadas corretivas agradecem o ?ato de amor?, pois os ajudou a perceber melhor o caminho a seguir. Como vemos, o assunto é complexo e requer amadurecimento das famílias. Contudo, há algo que não pode deixar de ser analisado: a normatização é uma tentativa de enquadrar situações cujo bom senso familiar não tem dado conta. (*) É médico.

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