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Opinião

Um espectro na rua

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Mais um morador de rua foi assassinado em Maceió, no domingo. É o 13º caso oficialmente registrado neste ano e, mais uma vez, chama a atenção para a existência de uma preocupante ciranda de crimes semelhantes. Esta chocante contabilidade confirma uma realidade infernal para os excluídos e deve mobilizar as autoridades para o equacionamento desta tragédia. O noticiário tem revelado a existência de duas tendências principais para as suposições da motivação desses homicídios sequenciais, ambas vinculadas ao crime organizado. Uma dessas hipóteses destaca que tais crimes estariam sendo multiplicados pelo tráfico de drogas, mais especificamente, o crack; a outra especulação levanta a ideia de que existiria um ?grupo de extermínio? voltado para a eliminação de moradores de rua. A primeira hipótese é mais provável; a segunda, improvável mas não impossível. As duas têm de ser estudadas com atenção para que nenhuma linha de investigação venha a ser ignorada. Uma terceira vertente aponta as brigas dos próprios moradores de rua como provável causa deste morticínio ? é a menos factível, a não ser que tamanho ímpeto assassino esteja sendo estimulado pelas drogas (e aí, novamente, entra em cena o crack). Os malefícios do crack tornam-se cada dia mais evidente. Confeccionado a partir do refugo do refino da cara cocaína, essa substância tóxica é tão barata quanto destruidora. E, para ampliar as desgraças dos excluídos, o baixo preço associado à troca de favores (nos procedimentos do tráfico) em seu consumo elegeu o crack como o entorpecente preferido dos miseráveis, desbancando a menos letal cola de sapateiro. E a desgraça se amplia a cada dia. Combater o crack passa a ser tarefa de primeiríssima necessidade inclusive para dar um basta a ondas de crimes como essa.

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