Opinião
PAPOS E LEROS DE �NIBUS
Meio-dia em um dos onibusinhos coletivos de Maceió: ? Olha só, que quem é vivo sempre aparece. Posso sentar? ? Ôxi, ?craro?, Pai Véio. Senta. ?Digaí?, como ?tão? as coisa? Resposta interrompida pelo brecão e pelo solavanco do ônibus que, ao acelerar, sentou o sr. à força. ? [...] Boas ? de melhorar! O cara espera ?uma hora de relógio? o desgramado do ônibus, e quando ele passa, chega derrubando a gente que nem boi. ? ?Nóis? num sabe se ?sumus nóis? que ?panha? o carro ou se é ele que nos ?panha? (risos), mas é sempre ?nóis? que apanha, né ?mermo?? Tu já ?arreparou a artura? do degrau do ?õimbu?? ? Já. Falta de respeito com a gente, rapaz! Parece não ter um padrão de altura pra degraus de coletivos. Agora, quando um cai e desmantela a carapuça do osso, fica por isso mesmo, né? ? E ?entchão?! Novamente, o diálogo é interrompido pelo pulular de baratinhas no assoalho e na lateral do coletivo. ? Espia ?praí?, Pai Véio: baratinhas (risos). ? (Irritado) Mas, mas... Não é possível uma coisa dessas, minha gente! Isso é uma vergonha. Uma ver-go-nha! Cobrador ? diz o sr. virando-se ao cobrador ?, a empresa não limpa nem dedetiza o ônibus não, é? Tem até baratas aqui! ? Rapaz ? retruca o cobrador ?, sei não te dizer... Eu só sei do que faço. Isso aí ?né? comigo não, viu? O sr. quis, em sinal de nojo e protesto, levantar-se; porém se frustrou ao ver que o aglomerado de passageiros em pé não permitia sequer um movimento de cacoete. O amigo então pondera: ? ?É nenhuma?, Pai Véio. Pelo menos ?nóis? vai sentado, né? ? É né? Com baratas, zoada de frota velha, com os ossos da bunda doendo em cima desse assento, que parece até pedra ? com tudo ?, menos com eficiência, conforto e qualidade. Nesta tranqueira nem lixeiro tem pra botar lixo; por isso que o povo joga sujeira pela janela. ? Pois é... Mas caladinho, caladinho, os ?grandão? botou pra empenar nos pobre, aumentando a passagem; e a gente ?num? vê ?mioria? no õimbu, né? O outro amigo puxou o cordão do ônibus a dar o sinal de parada, respondendo: ? Melhoria? Só pros bolsos deles. Olhe pra gente nesse gaiolão, nesse pau-de-arara, sufocados, suando, presos nesse trânsito desorganizado enquanto os ?grande?, lá, na maior mordomia do ar dos seus carrões e escritórios. É nisso que dá... De novo se interrompe aquele papo, com murmúrios e palavrões. É que o ônibus, dessa vez, quebrou. (*) É Professor de Produção de Texto.