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Riscos do Superaquecimento da Economia

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Mais uma vez lê-se nos jornais alguns economistas alertando para os riscos do superaquecimento da economia, especialmente gerados pelos reajustes dos benefícios previdenciários e dos vencimentos do funcionalismo. Cada vez mais parece fácil ser ?economista? no Brasil, basta dizer que é necessário: 1. Diminuir os gastos públicos (especialmente funcionalismo e INSS); 2. Controlar a inflação (exclusivamente por meio do aumento dos juros oficiais); 3. Conclamar por eficiência no setor público dizendo que o Governo gasta mal. O que não se diz: 1. O funcionalismo no Brasil é um dos mais enxutos do mundo. Não é eficiente, mas é enxuto, com apenas 10% dos trabalhadores. Pouco se comparado com os 15% nos EUA, País onde a iniciativa privada é quase uma marca sociológica ou com os 40% na Dinamarca, para citar apenas países tidos como capitalistas, liberais, abertos e ocidentais, segundo dados do IPEA. 2. Os juros só servem para controlar a inflação a taxas de até 5% ao ano, em casos excepcionais. Mais do que isso, aumenta-se tanto a dívida que o País fica refém dos credores. A dívida interna brasileira é de, aproximadamente R$ 1.700.000.000.000,00 (quase 2 trilhões). Não é tão alta em relação ao PIB (em torno de metade), mas é rolada a juros superiores a 10% ao ano. Ou seja, os EUA, com uma dívida 12 vezes maior, paga por ano o mesmo que o Brasil para rolar sua dívida. O Brasil paga R$ 170 bilhões por ano para rolar uma dívida que, a princípio, só serve para ?controlar a inflação?. Superaquecimento da economia? Basta que 5% dos credores queiram gastar o dinheiro ilusório que lhes foi dado para o País ter um colapso de consumo. O brasileiro que se aposenta pelo INSS ganha no máximo R$ 3.418,15 por mês (esse é o máximo, na média se paga R$ 636,65). Caso as contribuições para a previdência fossem capitalizadas a juros oficiais, o segurado teria direito a uma aposentadoria maior, ou seja, os aposentados na verdade financiam o Brasil, não o contrário. A juros reais de 1% ao mês (aproximadamente o que se pagou na era Real), um trabalhador contribuísse com 20% de seu salário de R$ 3.418,15, por 35 anos, teria, ao final, um valor de 4,4 milhões de reais gerando uma renda perpétua de R$ 44 mil ao mês. Esse montante foge a toda lógica econômica e o País não paga esse dinheiro ao segurado, mas paga àqueles que compram seus títulos. Concordo com Armínio Fraga que disse, logo após sair do BC, que os juros brasileiros são ?a maior distorção? da economia brasileira?. 3. Dizer que o Governo gasta mal, é onde eles acertam. (*) É engenheiro civil, advogado e professor universitário. [email protected]

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