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Opinião

Mortes nas ruas

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Na engenharia de segurança tive a oportunidade de conhecer o conceito de árvore de falhas, que consiste, basicamente, de um processo lógico dedutivo que parte de um evento indesejado buscando todas as causas que lhe deram origem, ou seja, os incidentes que originaram o acidente. Há poucos dias, dois secretários do município de Maceió foram ao Ministério Público para cobrar a participação de seus quadros na investigação dos homicídios que estariam vitimando moradores de rua, inicialmente 9, mas evoluíra para 11 e depois 16. Naquela audiência fora revelado que Maceió conta com cerca de 500 deles perambulando por tudo que é canto. Os secretários municipais cobraram do MP investigações para o que se lhes apresentava como uma possível ação arquitetada pelo crime organizado. Se organizado, com participação necessária de entes públicos para caracterizá-lo. Aquilo me causou estranheza pela desorganização do que se apresentara como organizado. Os moradores de rua são mortos com pauladas, facadas, tiros, overdose etc, em locais diversos e geralmente com motivação encontrada nos pequenos grupos em que se reúnem. Com o amplo sistema de proteção social do governo federal é necessário bastante esforço de negligência e desprendimento para alguém não ser alcançado por alguma bolsa do companheiro Lula. Assim, as ruas tornam-se depósitos daqueles que já esgotaram as possibilidades de convívio doméstico, mais das vezes vitimados pela dependência química de álcool e drogas. A droga dos moradores de rua e da prostituição é o crack, e a dependência os leva a gastar tudo do pouco que têm para satisfazê-la; quando não têm mais do seu, buscam o dos familiares; quando falta o que vender de casa, saem para mendigar. Como são jovens, não conseguem angariar a misericórdia dos outros, e assim iniciam a trilha da delinquência, furtando, roubando, invadindo espaços privados para abrigo e depósito de suas necessidades fisiológicas. A sobrevivência é uma luta diária com muitos combates pela comida, bebida, abrigo, sexo e droga. Por tudo isso, os moradores de rua estão mais expostos aos homicídios que aqueles que estão encarcerados em suas próprias casas. Os engenheiros de segurança buscam na árvore de falhas a identificação de limitações humanas, os pontos fracos do sistema, a frequência de eventos e análise de riscos, para assim construírem suas conclusões e recomendações para que o evento indesejado não ocorra. Portanto, políticas públicas para atendimento aos 500 moradores de rua seriam mais recomendáveis do que o esforço de dirigentes públicos buscarem organização em eventos criminosos distintos, até porque tem mais cerca de 900 homicídios ocorridos neste ano para investigar ? de moradores de barraco, casa, apartamento, mansão etc.. (*) É delegado de Polícia Civil.

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