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Opinião

A pr�stata em debate

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Há uns seis anos, logo após começarmos a trabalhar com radioterapia conformacional na Santa Casa, com pequena diferença de tempo, fui procurado por dois estimados colegas médicos, que estavam com câncer de próstata. Ambos queriam minha opinião sobre o que deveriam fazer, se cirurgia ou radioterapia conformacional.Devia decidir sobre algo fundamental para duas pessoas especiais. Senti um peso imenso sobre os meus ombros. Passei-lhes todas as informações sobre ambos os tratamentos, sua eficácia e seus efeitos colaterais. Para um dos colegas, que já sofrera precocemente um derrame cerebral e um infarto do miocárdio, foi fácil optar pela radioterapia, que não tem os riscos da anestesia geral; mas para o outro colega, da minha idade e sem outras co-morbidades a decisão foi mais difícil. O câncer de próstata é disparado o que mais afeta os homens mundialmente. Era muito raro nos índios primitivos, mas uma pesquisa da UNIFESP mostrou que após adotarem os hábitos do colonizador,eles ficaram obesos e passaram a ter também este tumor em incidência alta. Nos países do extremo oriente este tumor é raro, mas quando os japoneses migram para os EUA, passam a ter a mesma incidência altíssima dos americanos. A American Cancer Society preconiza que 18% de todos os americanos terão este tipo de câncer e alerta que na década de 80 apenas 0,8% dos pacientes tinham menos de 55 anos, atualmente são 5% dos pacientes e não se sabe ainda porque a doença avança em pacientes mais jovens. As causas ainda são ignoradas, mas sabe-se que aqueles que têm muitos parentes do 1º grau acometidos têm uma tendência maior de contrair a doença. Estudos realizados nos EUA com 29 mil homens, mostraram que indivíduos que ejaculam mais de 5 vezes por semana tem 33% menos chance de ter a doença do que os que ejaculam apenas uma vez. Este câncer é curável em 70 a 90% dos casos, se diagnosticado precocemente e em apenas 30 a 40% quando atinge tecidos vizinhos e quando dá metástases a distância o prognostico é péssimo. Os principais tratamentos são a cirurgia e a radioterapia conformacional realizadas rotineiramente em Alagoas com excelentes resultados. Existem muitas substâncias preventivas e tratamentos imunológicos sendo testados, por falta de espaço ficará para uma próxima matéria. Os urologistas alagoanos, mesmo não tendo recebido pelos transplantes renais realizados para o SUS desde 2009, merecem respeito e não esmorecem: competentes e muito atualizados estão realizando uma grande jornada científica esta semana. Em tempo, os dois colegas citados no início estão curados. (*) É médico e professor da Uncisal.

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