Opinião
Investimento verde
Apesar de, em termos globais, o valor não ser grande coisa vale a pena torcer para que a prática seja convertida numa política permanente de incentivo ao custeio de projetos de relevância global. Estamos falando no caso do redirecionamento de dívidas brasileiras para com os Estados Unidos. Na semana passada foi assinado um acordo entre o Planalto e a Casa Branca pelo qual um determinado valor devido pelo Brasil aos Estados Unidos seria, ao invés de pago aos credores originais, investido diretamente em projetos ambientais brasileiros. Graças ao compromisso rubricado em 12 de agosto deste ano, em Brasília, US$ 21 milhões, ao invés de serem remetidos ao tesouro americano destinar-se-ão a programas ambientais destinados a preservação da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga. Esse recurso seria a derradeira parcela de um empréstimo contraído pelo Brasil aos Estados Unidos ainda na década de 60, dívida pela qual o nosso País já teria pago cerca de US$ 100 milhões ao longo desse meio século de débito. O governo brasileiro, por meio do Ministério do Meio Ambiente, esclareceu que este seria o primeiro de uma série de 15 tratados firmados pelo governo americano com governos de países detentores de ecossistemas tropicais. O governo dos Estados Unidos, por sua vez, está cumprindo as orientações de um programa próprio, Tropical Forest Conservation Act, aprovado ainda em 1998 e voltado especi- ficamente para estimular a conservação de florestas em todo mundo. Para o Brasil, cujas contas internacionais sempre encontram restos a pagar, esse programa pode ser uma ótima opção de investimento na preservação de nossas florestas. E, particularmente, tal disposição americana deveria interessar ao Nordeste, posto aqui ser o habitat de um ecossistema único no mundo, a caatinga.