Opinião
O legado de Pierre Chalita
Praticamente durante toda a sua vida profissional Pierre ocupou, com muita naturalidade, o primeiro lugar entre os pintores alagoanos. Tal fato em nada o afetou; sempre foi um homem simples que soube cultivar amizades e nunca deixou de ser atencioso com os seus admiradores. O acervo que ele deixa englobado na Fundação Pierre Chalita é, sem dúvida, o mais precioso tesouro artístico que a Terra das Alagoas possui. De longa data participando do Conselho da Fundação, sempre me admirei do amor com que ele tratou o precioso acervo que deixou de ser seu na hora da doação. Também sempre me surpreendeu o desinteresse que sucessivos governantes demonstraram em dar destaque e valor a um inestimável patrimônio público. Nas reuniões do Conselho da Fundação Pierre Chalita várias vezes insisti em fazermos um trabalho no sentido de se realizar uma permuta com a Associação Comercial: transformar o belo palácio de Jaraguá em um centro cultural e dotar a nossa Casa do Comércio de um prédio moderno, funcional, provido de avançados recursos tecnológicos. Tenho a certeza de que todos sairiam ganhando: a cultura e o turismo alagoano de um lado e os integrantes da Associação Comercial do outro. Caso não seja tomada medida como esta a Fundação Pierre Chalita dificilmente sobreviverá à capacidade vital de Solange Chalita. Sem Solange, com quem permaneceu casado 24 anos, Chalita não seria o que foi. Com Solange, Chalita encontrou a realização plena. Foi ela quem pôs ordem em um conjunto artístico valiosíssimo e quem deu ao mestre um motivo maior para uma vida sistematizada sem a desarrumação que parece caracterizar a vida dos gênios. Em eleição promovida na virada do século pela Organização Arnon de Mello para escolher o maior alagoano do século XX a escolha recaiu em Graciliano Ramos; não me surpreendi porque já verifiquei que são as manifestações culturais que melhor traduzem o progresso do gênio humano. Se formos à Grécia estaremos visitando um País pobre que recentemente mergulhou em profunda crise econômica financeira. Mas, em cada um de nós há um expressivo volume de influência grega. Na literatura, na arquitetura, na escultura e na política além de em nosso vocabulário, muito herdamos da civilização grega cujo apogeu data do Século de Péricles que transcorreu entre 439 a.C. e 338 a.C. Hoje para preservar a memória de Pierre contamos com a sua dedicada Solange, intelectual e artista que, por méritos próprios, ocupa a vanguarda de nosso meio cultural. Mas é importantíssimo para Alagoas que a Fundação Pierre Chalita sobreviva a nossas vidas fugazes. Se tal fato não acontecer, Alagoas ficará ainda mais pobre! (*) É empresário.