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Opinião

Um recado

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As más notícias da vida política brasileira são constantes, deixa-nos com a impressão de um País sem jeito, seja na cena empresarial, seja nos profissionais liberais, mas principalmente nos três poderes, de onde deveria partir os melhores exemplos. Não bastam os mensalões da Câmara Federal, o caso das ambulâncias para as prefeituras municipais, as mordomias exacerbadas no Executivo, Legislativo e, pasmem, no Judiciário que deveria ser o termômetro da dignidade. Nunca vi tanta falta de patriotismo, tantas meias, cuecas e bolsas milionárias quanto no caso do governo do Distrito Federal.E agora chega-me aos ouvidos trazidos por uma pessoa de credibilidade, para mim pelo menos, que filhas solteiras de ministros do Supremo Tribunal Federal, por morte do pai, recebem pensão vitalícia do Poder Judiciário e que senadores ou suplentes que tenham assumido o mandato por pelo menos seis meses têm plano de saúde vitalício para si e todos seus familiares. Não estou denunciando e muito menos afirmando ser ou não verdadeiro; mas partindo do princípio das mazelas brasileiras, se for verdade é no mínimo deprimente, porque enquanto isso, milhares de pessoas morrem Brasil afora por falta de atendimento, remédios e tudo enfim. Gostaria de ver o povo brasileiro mais patriótico, mais vigilante com a postura ética dos de lá de cima, Judiciário, Legislativo e Executivo; com educação e cultura sem muito a desejar, aproveitando o 7 de setembro e 15 de novembro sabendo o porquê do feriado, a maioria não sabe. O recado que estou me propondo a mandar não foi escrito por mim e sim por uma garota de apenas 14 anos, estudante de uma escola pública de Joinville, que ao participar de um concurso de redação cujo tema era ?Dai pão a quem tem fome? ela, fugindo totalmente ao tema, ganhou o primeiro lugar usando, imaginem, a letra do Hino Nacional para compor sua participação. ?Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar: O que houve meu Brasil brasileiro? Perguntei-lhe! E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... Antes, meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glória no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo a mãe gentil. Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula. Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei...Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei mais...Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz? Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em berço esplêndido.? (*) É empresário e bacharel em História.

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