Opinião
Uma prece pela paz
?Não existe nenhuma justificativa religiosa para o terrorismo?. Tal consigna, apesar de óbvia para qualquer alma alfabetizada em quaisquer textos religiosos, tem sido ignorada e subvertida ao longo dos séculos. Recentemente, esta máxima, simples e direta, tem caracterizado as pregações de um clérigo muçulmano de origem paquistanesa, Tahrir Ul-Qadri. Sediado na Inglaterra, este clérigo tornou-se (segundo a mídia especializada) uma celebridade globalizada graças à firmeza de suas interpretações pacifistas do Alcorão e sua habilidade em conquistar o público internauta. Uma boa notícia num mundo cada vez mais assustado com as ações violentas de grupos autoproclamados seguidores dos ensinamentos de Maomé. Inegavelmente o mundo ocidental pode testemunhar, através da história, enormes contribuições pacifistas, progressistas e culturalmente avançadas legadas pelos islâmicos. Especialmente nos são profícuos os séculos nos quais a paz reinou nos domínios islâmicos de Al Andaluz, onde hoje viceja Espanha e Portugal. Não só o novo mundo descortinado pelos lusitanos e castelhanos se beneficiou da sabedoria e equilíbrio da ibérica mourisca, mas toda a cultura ocidental deve aos xerifes e aos acadêmicos muçulmanos o resgate e a preservação dos textos filosóficos clássicos gregos e romanos, cujas lições sofreram enormes ameaças de destruição total nos terríveis anos de obscurantismo europeu conhecido como Idade Média. Parte dessa herança está na própria língua portuguesa e na cultura ancestral que marcam as raízes mais sólidas do Brasil. Infelizmente, as interpretações radicalizadas e profundamente belicosas do islamismo têm disseminado o terror em praticamente todo o mundo. Em boa hora, uma liderança muçulmana se dispõe a enfrentar esse desvio. Oxalá tenha sucesso em sua missão.