Opinião
A prop�sito de discuss�es no dia dos pais
Afirmei de certa feita que a educação dos filhos deve começar 20 anos antes, com a educação dos pais. E há muita realidade nisso. A tendência dos pais, quase sempre, é de repetir os modelos de educação que receberam. Acontece que mudanças ocorreram no mundo e na vida, e, de maneira bem evidente, em relação à criança e aos adolescentes. A mídia, a internet, as amizades incentivam questionamentos e rebeldias, que são tônicas da atualidade. O relacionamento entre pais e filhos ficou bem mais complexo e difícil. Os garotos de hoje são mais maduros do que a geração de seus pais. A criança atinge razoável nível de inteligência aos 4 anos. Os adolescentes anseiam por liberdade e afirmação. Esses fatos novos tornam o processo educativo bem mais complicado que no passado. Se o nascimento é um momento mágico para os pais, um impacto em todos os sentidos, sentimento de amor, de esperança e de comoção, logo após começam outras preocupações. Desde cedo a educação se inicia. E, a partir daí, dúvidas são suscitadas. É comum ouvir: ?meu filho é a minha vida, mas estou certo no processo educativo conduzido?? Como educar estabelecendo limites, controles, sem cair no autoritarismo e na repressão? É certo bancar sempre o bonzinho, complacente e contemporizador, que atende a todos os desejos da criança? É lícito deixar para a escola a tarefa da educação dos filhos? Ao dizer sempre ?não?, pai e mãe correm o risco de serem rotulados de caretas, reacionários e antipáticos. Um fato é indiscutível e aceito pela maioria. A definição de limites, orientações, aconselhamentos, proibições, diálogos e convencimentos, mesmo quando implicam em posições antipáticas e mal aceitas, devem estar presentes em todos os momentos do processo educacional. Aliás, se desde pequeno o filho foi acostumado a fazer o que quer, na adolescência, qualquer proibição será mal recebida. Entretanto, há um autoexame a fazer: a vida moderna trouxe como consequência pais ocupados, ansiosos, com tempo escasso dedicado à família, o que acarreta ausência de diálogo e de cumplicidade afetuosa. Se tempo é questão de preferência, tempo bem aproveitado no contato com os filhos torna-se fator positivo. Roteiros de como ser bom pai e boa mãe não se encontram à venda nas prateleiras de farmácias e drogarias. Por mais preparados que estejam, há sempre hiatos a compensar. Compreensão, amizade, dedicação, bom senso e doação são palavras positivas em quaisquer relacionamentos. (*) É médico.