Opinião
Homenagem justa
Anteontem, a Universidade Federal de Alagoas marcou um significativo tento. Ao homenagear um dos mais notáveis intelectuais brasileiros, homenageou-se, com louvor, através do reconhecimento unânime da justeza da iniciativa. Ariano Vilar Suassuna, paraibano de nascimento e nordestino de coração e mente, fez-se intelectual brasileiro em Pernambuco. Filho de ex-governador, Ariano, ainda menino deixou a Paraíba ainda quando esse era o nome da capital de seu Estado. Seu pai, João Suassuna foi assassinado durante um dos períodos mais sanguinolentos da política regional, o que obrigou a família a arribar do torrão natal. Professor da Universidade Federal de Pernambuco, o paraibano Ariano tornou-se mais que um grande pedagogo. Enveredou, com grande sucesso, pelos campos da literatura, do teatro, da poesia e, especialmente, pela sistematização teórica e prática dos traços mais fundos da cultura brasileira e suas manifestações essencialmente nordestinas. Um dos primeiros livros de Suassuna, intitulado ?Fernando e Isaura?, uma releitura da tragédia de Tristão e Isolda, tem como cenário a margem alagoana do Baixo São Francisco. Nesse romance, além das cidades alagoanas, estão eternizados elementos típicos como as ?canoas de tolda? e outras tantas referências sobre aquele pedaço alagoano do Brasil ancestral. De parabéns está a Ufal, graças a iniciativa da professora Leda Almeida, diretora do Museu Théo Brandão e autora da proposição e da chancela da reitora Ana Dayse Dorea, esta responsável pela agilização dos trâmites universitários que concederam a Ariano Suassuna o laurel de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Alagoas. A beleza da solenidade de entrega do título, anteontem, foi um prêmio à parte para todos que tiveram o privilégio de testemunhar o ato ? um espetáculo.