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1968, o ano que terminou

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Contrariamente ao que afirma Zuenir Ventura em seu famoso livro, 1968 ? o ano que não terminou, denso de preciosas informações sobre a história recente de nosso País e sobre as posições daquela juventude dos anos 1960,eu queria afirmar neste artigo que, ao contrário, o ano 1968 terminou, sim. E pretendo explicar por que. Comecemos pelos protagonistas. Os jovens, de seus 18 anos naquele ano, hoje estão com 60. É a turma de Daniel Cohn-Bendit, que liderou o movimento de contestação no ?maio quente? da Sorbonne de Paris. Na época, apelidado de ?Dany, o vermelho?, criou o slogan ?somos todos judeus alemães? e hoje é um pacato político alemão, deputado no Parlamento europeu pelo Partido Verde. E no Brasil, que é feito dos jovens ativistas políticos daquele ano? Bem, ou são capitães da indústria, abastados fazendeiros ou usineiros, ou estão é na política, no Congresso Nacional ou até no Palácio do Planalto. Serão muito provavelmente pacatos pais de família com preocupações familiares. É interessante recordar aqui alguns de seus slogans preferidos, que eram os gritos de guerra nas frequentes assembleias e passeatas, as duas atividades preferidas dos jovens estudantes da época, como diz com ironia Zuenir em seu livro. Eram eles: ?É proibido proibir? ? ?Não confie em quem tem mais de 30 anos? ? ?Não faça guerra, faça amor? ? ?Todo poder abusa, o poder absoluto abusa absolutamente? ? ?O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas; o poder tinha as fábricas, os operários tomaram-nas; o poder tem o poder, tomem-no!? Esses slogans soam hoje para nós como simples frases de efeito publicitário, sem maior significado. Diz Zuenir: ?No meio de uma grande complexidade cultural, é que surgia uma geração de jovens intelectualizados, reagindo contra o tradicionalismo sexual e criando antitabus.? Sem dúvida, o movimento mundial estudantil de 1968 produziu uma aceleração da história. No Brasil, porém, só tivemos eleições indiretas em 1985 com Tancredo Neves, que nem chegou a assumir a Presidência. Só em 1989, com a vitória eleitoral do nosso hoje senador Fernando Collor de Mello, com mais de 35 milhões de votos, no segundo turno, nas primeiras eleições diretas desde 1964, ficou consolidada a democracia brasileira. Collor, nascido em 1949, tinha 19 anos justamente no famoso 1968 e assumiu a Presidência aos 40, como o mais jovem Presidente da história brasileira e das Américas. ?O Brasil mudou muito ao longo desses anos, até mais do que os brasileiros percebem?, diz o economista Ricardo Amorim da revista IstoÉ. O ano 1968 terminou, sim. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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