Opinião
Carta ao meu pai
PAI! Há 31 anos convivo sem sua presença, comemoro o Dia Dos Pais apenas com você em meu pensamento, sem abraçá-lo, sem seu sorriso e suas brincadeiras, às vezes pesadas. No último, 08/08/2010 foi mais um desses dias, mas esse não sei por qual motivo, está mexendo com meus sentimentos; amanheci com muita saudade, mais que nos anos anteriores e sentindo-o muito perto, preocupando meu coração, uma vontade imensa de conversar contigo. Resolvi então escrever-lhe essa mensagem imaginando que você talvez esteja querendo notícias nossa. Pois é PAI, Você partiu cedo e sem se despedir! Não houve tempo para um papo de adeus, silencioso ao amanhecer do dia. Ficamos aqui e como diz o ditado: A vida continua e o tempo não para. Depois de sua viagem outros te seguiram, como a vovó Jasmelina, sua mãe, Jaguarassu e Ubirajara, seu irmão e sobrinho, o Pedinho, (Pedro Timóteo), seu amigo-irmão, o Edson, filho de criação, o Prof. Almir Guimarães, amigão do peito, cada um deixando saudades que comprime e machuca nosso coração. PAI, sua família cresceu um bocado, vieram mais netos e bisnetos, você já tem até uma bisneta na faculdade de Direito, minha neta e filha da Alexandra e um bisneto Vereador, neto do Freddy, mas puxou a doidera política do tio avô Geraldinho; tem até um funcionário do Banco do Brasil, meu genro marido de Ana Paula, a saga continuou, tem um neto artista, DJ famoso na terrinha, já deu algum giro fora do Brasil e atualmente está no Rio de Janeiro tentando se firmar no mundo musical. A Tanya também já é avó, mas ficou no filho único, o Victor. E então PAI, com todo esse acervo humano o dia de hoje seria um festão Dona Selenita, sua esposa, minha mãe, hoje com 85 anos, justamente o inverso da sua idade quando partiste, não lhe esquece um só dia. Às vezes quando a levo para passear pela nossa Maceió para ver o progresso e o desenvolvimento da cidade que cresceu muito é uma verdadeira metrópole, ela para, fixa o olhar nas novidades e diz: ?Como essa cidade cresceu, está linda, moderna, pena que o Geraldo não esteja aqui, ele iria gostar!?. Lembra-se daquele local na Ponta Verde onde construí minha casa no final dos anos 60, e você disse que nem em 100 anos eu teria um vizinho, pois é, hoje é uma bela e espaçosa avenida cheia de edifícios; a praia de Jatiúca, linda e deserta, está toda pavimentada, um luxuoso lugar. Dos filhos de Euclides e Jasmelina Gonçalves resta a tia Jaguaraci, ainda forte, lúcida, abalada apenas pela idade, 84 anos, e pela mágoa da venda, do Parque Hotel, em parte, graças a ela. PAI, diga-me uma coisa, aí tem lugar para pescar? Lembro-me tanto de suas pescarias. Você abastecia aquela Rural Wills de tudo: whisky, cerveja, som e até um gerador portátil, não faltava nada a não ser peixe que nunca vinha. A culpa era do mar! Para encerrar, quero dizer o quanto eu tenho orgulho de ser filho de Geraldo Gonçalves, funcionário do Banco do Brasil, um homem do coração maior que o corpo, generoso, amigo leal, apaixonado pela D. Selenita, mas também uma eterna criança. eu te amo e sinto muita saudade! (*) É empresário.