Opinião
O gelo da seguran�a
O secretário de Direitos Humanos, Segurança Comunitária e Cidadania de Maceió, Pedro Montenegro, foi ao Conselho Estadual de Segurança para apresentar o Plano Integrado de Promoção do Direito Humano à Segurança e fazer algumas recomendações àquele colegiado para o devido enfrentamento ao quadro alarmante da violência no Estado. Na oportunidade, Montenegro distribuiu uma cartilha com importantes informações que subsidiaram seu Plano. A cartilha de Montenegro, um belo trabalho, principalmente pela radiografia da violência que apresenta, consolida propostas tiradas de reuniões realizadas em alguns bairros de Maceió, com a presença de muitas entidades, menos as polícias, conforme se constata no próprio documento e, pelo que parece, sem a sua própria Guarda Municipal. Mas, polícia para que polícia? As propostas foram transformadas em 50 ações, com responsabilidades de execução conjuntas, divididas em grupos de órgãos municipais. A secretaria de Montenegro aparece em 21 dessas ações, sendo que seis destas, ela vai tocar sozinha. Confesso que ao examinar as 50, observei que algumas delas são contempladas em ações mais abrangentes citadas no próprio documento, prejudicando a objetividade tão pretendida pelo secretário. Como se trata de um especialista com passagem destacada no Ministério da Justiça, Montenegro aproveitou a oportunidade e, objetivo, alfinetou a Secretaria de Estado da Defesa Social, recomendando que a gestão deveria ?deixar de enxugar gelo e agir preventivamente, detectando o que realmente desencadeia as ações violentas?. E foi direto ao assunto, recomendando que os novos militares incluídos no grupo da reserva técnica, fossem logo destinados ao policiamento comunitário. A Polícia Civil não escapou das críticas do especialista, que estranha a sua competência na repressão aos assaltos a bancos sem conseguir atuar da mesma forma nos crimes contra a vida. Impressionado com a cartilha e a objetividade de Montenegro, resolvi consultar alguns guardas municipais sobre as transformações que o secretário teria implantado na instituição deles. Mas certamente perguntei a pessoas erradas, pois não haviam registrado nenhuma ação transformadora do novo líder e ainda pontuaram algumas limitações de sua gestão, a exemplo do abandono do quartel da guarda no Conjunto Joaquim Leão, área citada na cartilha como das mais violentas. Falaram também da falta de cursos de especialização e de um contato mais próximo com o comandante. Fui ao Corredor Vera Arruda no Stella Maris, onde ocorrem assaltos todos os dias, e lá constatei ainda restos da demolição do posto da Guarda Municipal, iniciada pelos vândalos e depois pela própria prefeitura. Quero acreditar que o Secretário não esteja sabendo dessas coisas, senão, eu que estou enxugando gelo como polícia, irei recomendar que ele, pelo menos, mande juntar o monte dos restos do posto da Guarda. Ah! Uma boa idéia para a cartilha seria a ação 51 ? falar das outras ações para os guardas. (*) É delegado de Polícia Civil.