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Opinião

Continuando nossa visita a Moscou

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Junto aos muros do Kremlin está o Mausoléu de Lenin, construído em mármore negro; o túmulo do soldado desconhecido e os das grandes figuras que, de algum modo, engrandeceram a história do país. Todo comunista deve visitar a tumba do fundador do sistema, assim as filas são enormes. Passamos mais de uma hora para entrarmos na câmara semi-iluminada, onde repousa embalsamado, o corpo do grande revolucionário. Tudo que existe de belo na Rússia foi construído sob o domínio dos czares. De moderno e notável, existe o Palácio do Congresso e o Museu do Desenvolvimento, em que se observa toda a evolução das conquistas espaciais soviéticas. Com muita sorte, conseguimos entradas para o balé do teatro Bolshoi. Tivemos que subir oito andares pela escada, pois nossos lugares eram lá em cima e não existem elevadores. Para os russos, isso não é nada, estão acostumados a subir e descer nos seus altos prédios de apartamentos, sem ascensores. Mas valeu a pena. O balé foi fantástico! O teatro é imenso e ricamente decorado com estuques em relevo. Fomos, noutra tarde, ao Circo de Moscou e nos encantamos com seus números perfeitos de acrobacias, mágicas, equilibrismo, contorcionismo, malabarismo, etc. Assistimos também, a um espetáculo de danças folclóricas muito bonito, no teatro do Palácio do Congresso, no Kremlin. Nessa mostra de danças, conhecemos vários trajes das diferentes regiões do país. A Rússia é uma terra interessante, não só pela sua enorme extensão, como porque, dentro de seus limites, vivem diversas raças. Os cossacos, que provêm da Caucásica, são bem conhecidos por serem uma raça guerreira e pelas danças alegres que habitualmente fazem parte dos bailes típicos. Integravam quase sempre o exército dos czares pela sua valentia. Os tártaros, que também habitavam o Cáucaso, eram conhecidos por sua crueldade. Existem, também, os samoiedos, que são nômades e vêm da Sibéria, os russos brancos do oeste, de raça slava, na sua maioria, etc . Uma mistura étnica incrível, proveniente de tantas conquistas. A vida é muito simples, e se vestem com mais desprendimento ainda. Mas os trajes festivos são lindos e alegres. Saímos do teatro e sofremos para voltar ao hotel. Os taxis eram muito difíceis. Hávia poucos carros na Rússia. À noite, a Intourist nos ofereceu um jantar no Hotel Sibéria, num salão privado e de portas fechadas. A mesa, bem posta, tinha serviço em baixelas de prata e pratos de porcelana. Havia terrinas de caviar Malessol, ovas de salmão, blinis deliciosos, esturjão ao forno, salmão defumado, uma variedade de estrogonofes, enfim tudo que existia de melhor na culinária russa. O chá era servido em elegantes samovares de prata. Tudo muito alinhado. Ficamos admirados, nós que até então só havíamos experimentado as horríveis comidas do hotel, muito mal apresentadas. Fomos conhecer a principal estação de metrô de Moscou. No caminho, atravessamos praças e ruas sempre tomadas por uma multidão. Das fachadas dos prédios pendiam enormes retratos dos líderes bolcheviques, numa maneira de impressionar o povo. Por fim, descemos na famosa estação e ficamos estarrecidos com tanto luxo. (*) É da Academia Alagoana de Letras.

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