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A d�vida e o sil�ncio dos n�o inocentes

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Nosso país não cresce, também, por causa da dívida e dos juros sobre ela. Como não há fiscalização pra valer, municípios, Estados e União devoram nossos impostos, sem pena e remorso. Nesse aspecto, a dívida é a própria desesperança do crescimento. A dívida asfixia e tira o couro da gente. De fato, como todo ano ela cresce, temos que trabalhar mais tempo para honrá-la. Hoje, sacrificamos em média cinco meses por ano para pagar impostos. Se não houver crescimento para gerar mais receitas públicas (com a mesma base tributária), não sei aonde vamos parar. Sabemos, ademais, que o tecido adiposo da dívida contém células pecadoras da gula, dos privilégios e da rapinagem. Assim fecundada, ela concentra a renda da sociedade e escraviza o povo. Faz com que o devedor famélico penhore o voto soberano para adquirir algo que possa saciar sua fome. É humilhante saber que nossos impostos são usados para pagamento de uma dívida assim concebida. Diante disso, todos os candidatos à Presidência da República deviam falar sobre o que pensam da dívida. Até então, o único a se manifestar sobre o assunto foi Plínio de Arruda Sampaio. Ele diz que, se eleito, fará uma auditoria na dívida. Acho isso saudável, mas não sei por que, para muitos, essa ideia cheira a calote ? poderia romper contratos e melindrar credores. Isso é muito engraçado! Só o povo soberano pode receber o verdadeiro calote, qual seja, o de pagar uma das maiores cargas tributárias do planeta e não receber um só serviço de boa qualidade! É inegável que a falta de fiscalização aumenta os gastos e eleva nossos impostos. Assim, a decisão de auditar seria saudável para nossa economia. Explico: a provável redução da dívida por certo resultaria em poupança, a qual seria utilizada para honrar os tais contratos, se legítimos, ressalte-se, bem como para realizar mais investimentos em infraestrutura, indispensáveis ao desenvolvimento. Além disso, haveremos de conter o avanço da dívida. Como as nossas instituições fiscalizadoras não vêm obtendo êxito em suas tarefas, contrataríamos empresas de auditorias externas para verificar as contas de todos os entes federativos, cujos relatórios seriam enviados diretamente para o Ministério Público. Precisamos sair da mesmice do debate. Não podemos mais aceitar o silêncio dos candidatos e, muito menos, o argumento segundo o qual a dívida é intocável. Seria um atestado de submissão ? um de acordo a esse estado de coisas, que vem travando o nosso crescimento econômico. (*) É contador.

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