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Nº 5712
Opinião

Consci�ncia ecol�gica

EDUARDO TAVARES MENDES * Apesar das perspectivas positivas acerca da Conferência de Cúpula Mundial Sobre Desenvolvimento Sustentável - a Rio+10, que está sendo realizada em Joanesburgo, na África do Sul, a verdade é que dois grandes movimentos mundiais

Por | Edição do dia 29/08/2002 - Matéria atualizada em 29/08/2002 às 00h00

EDUARDO TAVARES MENDES * Apesar das perspectivas positivas acerca da Conferência de Cúpula Mundial Sobre Desenvolvimento Sustentável - a Rio+10, que está sendo realizada em Joanesburgo, na África do Sul, a verdade é que dois grandes movimentos mundiais já foram realizados com a finalidade de se avaliar e viabilizar o desenvolvimento dos países, ricos ou pobres, sem agressões à natureza, não se tendo obtido, até então, o êxito esperado. A primeira grande conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente ocorreu em Estocolmo, na Suécia, em 1972 e, duas décadas depois, o mundo inteiro participou, no Rio de Janeiro, da Rio/92, abordando o tema “Meio Ambiente e Desenvolvimento”. Conquanto as autoridades venham afirmando que esses encontros resultaram em avanços significativos para resolução das grandes questões ambientais do globo terrestre, causam espanto as declarações de governos, ambientalistas e políticos de que a Rio+10 procurará executar as ações já traçadas nas referidas conferências. Ora, se formos esperar anos e mais anos para pôr em prática planos de combate à fome, à miséria e ao atraso e projetos que visem ao desenvolvimento tecnológico, sem que a Terra sofra conseqüências desastrosas, correremos o risco de concorrer para que os nossos descendentes, junto com o Planeta e as espécies, tenham futuro pouco promissor. Nos últimos trinta anos o que mais se viu foi o crescimento alucinado de atos agressivos à natureza. As alterações climáticas, a poluição dos céus, as enchentes, enfim, têm sido, em parte, conseqüência da ação antrópica predatória do homem. Os governos, por sua vez, fazem vista grossa para esses descasos, quando não são coniventes com eles. O governo brasileiro, por exemplo, campeão em irresponsabilidade para com o Meio Ambiente, há bem pouco tempo só falava na transposição das águas do Rio São Francisco, pouco, ou nada, importando o impacto ambiental que tal desatino iria causar. O assunto desapareceu dos bastidores políticos, e dos gabinetes dos tecnocratas do serviço público, somente em razão do colapso energético do qual foi acometido o Brasil. ( Aliás, diga-se de passagem, a crise no sistema de energia foi fruto da absoluta incapacidade das “autoridades” que, confiando apenas nos recursos naturais do País, não criaram alternativas viáveis para o abastecimento elétrico). A degradação dos rios, do ar, das florestas e do mar. Portanto, é realidade nos quatro cantos da Terra. E todos somos responsáveis por esse flagelo ambiental: governos, universidades, povo e instituições. Robert Müller, reitor da Universidade da Paz, em Costa Rica, afirma categoricamente que as universidades de praticamente todos os países têm concorrido para o caos mundial pois, com raras exceções, orientam para o nacional e não para o mundo e a humanidade. Para Müller, a preocupação com o Meio Ambiente deveria fazer as escolas incluir em seus currículos básicos o estudo do infinitamente grande, como o universo, as propriedades físicas da Terra, os desertos, as montanhas, os mananciais e as energias, e do infinitamente pequeno, como a microbiologia, a genética e a física nuclear. A sociedade mundial espera que a Rio+10 não seja mais uma reunião de cúpula brincando de cuidar da sobrevivência do planeta. A Conferência de Joanesburgo deve retratar as aspirações de todos os povos e de todas as instituições sérias que querem preservar sua morada - a Terra. (*) É PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE ALAGOAS

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