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A FOR�A DAS MULHERES

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Li recentemente, nesta Gazeta de Alagoas, a notícia de que o nosso Estado, dentre todos do Brasil, é o que tem a menor esperança de vida entre os homens, e a maior diferença entre as expectativas de vida dos homens e das mulheres. Os alagoanos do sexo masculino vivem, em média, 66,2 anos, enquanto as mulheres alcançam facilmente os 75,7 ? quase dez anos a mais, o que não é pouca coisa. Essa pesquisa confirma o que testemunhamos habitualmente em nossa convivência social, onde o número de viúvas é muito superior ao dos maridos que perderam as suas esposas. De fato, as mulheres são muito mais fortes do que nós, apesar de ostentarem, indevidamente, a pecha de ?sexo frágil?. No ventre da mulher está a força mais extraordinária da natureza, e dali ela extrai toda a sua capacidade de ser, em tudo, melhor do que o homem, de fazer dezenas de coisas ao mesmo tempo (e dar conta de todas elas!), de suportar as dores, inclusive físicas, com uma coragem que nós sequer ensaiamos. A mulher fala sem dizer palavra alguma, enxerga como se não estivesse vendo nada e ordena como quem faz uma súplica. E se às vezes ela se fragiliza, conscientemente, é somente para nos dar a ilusão de que nós, os homens, somos capazes de ampará-las, quando na verdade nós é que sempre estamos a necessitar da sua presença para nos sentirmos fortes, úteis e capazes. ?A mulher é quem faz o homem, seu Dioginho? ? repetia-me o velho Zezinho Fogueteiro, nas nossas longas prosas de fim de tarde. Em Alagoas, a tradição de Dandara dos Palmares, de Ana Lins e de Rosa da Fonseca tem se perpetuado de geração em geração, dando-nos mulheres valorosíssimas em todos os segmentos da sociedade. Miriam Lima na pintura; Lily Lages e Nise da Silveira na medicina; Odete Pacheco no rádio; Arlene Miranda no jornalismo; Anilda Leão na poesia; Ilza Porto no conto; Heloísa Marinho de Gusmão no ensaio literário; Linda Mascarenhas no teatro; Maria José Carrascosa no folclore; Guiomar Alcides de Castro na história; isso para mencionar apenas aquelas que já se foram. E muitas outras que, na simplicidade e no silêncio das suas vidas domésticas, souberam ser o verdadeiro esteio dos seus maridos e filhos, propiciando-lhes lograr as conquistas que edificaram a nossa sociedade. Não nos esqueçamos de que foi Eva, e não a serpente, quem fez Adão comer o fruto proibido. Desde o Jardim do Éden, ela, a mulher, é a única capaz de nos alçar ao paraíso ou nos precipitar nas labaredas do fogo eterno. Força danada, a desses seres encantadores.

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