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Opinião

Precisamos afirmar a cultura da vida

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A primeira década do século 21 vai avançando e daqui há pouco, já estamos novamente numa nova virada, ingressando nos anos 20. O tempo corre célere, numa velocidade espantosa. O desafio é conciliar tecnologia e humanismo, isto é, agregar as possibilidades tecnológicas à promoção do verdadeiro bem da pessoa humana. Não é uma tarefa fácil, devido a tantas mudanças, à nova configuração da ordem mundial, dos novos valores que vão se impondo, especialmente pela força da mídia. A grande questão é sobre que valores são estes, e se são realmente valores capazes a favor do ser humano. O papa João Paulo 2º, na encíclica Evangelium Vitae, de 1995, denunciou a emergência de uma nova cultura contra a pessoa, que ele chamou de ?cultura da morte?, em contraposição à cultura da vida que devemos defender e trabalhar pela sua construção na sociedade. Este conflito é uma tônica do nosso tempo, pois há forças adversas à vida, atuando intensamente pela destruição de valores humanos que foram construídos ao longo da história, a começar pelos valores da família. Assim estamos: em meio a este conflito da cultura da morte x cultura da vida, vivendo o desafio proposto pelo Deuterônimo: ?Escolhe, pois, a vida!?. Nesse sentido, é preciso que tenhamos discernimento, para perceber claramente o que têm nos influenciado, enquanto estilo de vida, na adesão consciente ou inconsciente a uma destas duas modalidades de cultura. A crise do sentido da vida (e também do sentido de Deus), os escapismos de toda espécie, o individualismo exacerbado, o hedonismo, a lógica da competitividade, tudo isso contribui para acentuar a chamada cultura da morte, que mata nas pessoas as razões de viver, levando-as à angústia e ao não saber ao que se ater. Por isso, precisamos nos posicionar pela cultura da vida, afirmando as potencialidades promissoras da vida, com criatividade, para que haja desenvolvimento e crescimento em todos os níveis, pessoal e comunitário, individual e social. Neste tempo novo, de profundas transformações, é preciso que assumamos com coragem e energia, a cultura da vida, a solidariedade, e os valores que visam proteger e promover a pessoa de modo integral, para que a vida seja um bem para todos. Talvez seja este o grande tema da atualidade, pois, em tudo, conta sempre, em primeiro lugar, priorizar o ser humano. (*) É doutor em Sociologia.

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