Opinião
O mundo maravilhoso de Pierre Chalita
Há combinações de talentos que são dificilmente encontrados concentrados em uma única pessoa. O brasileiro das Alagoas Pierre N. Chalita é um desses raros indivíduos. Artista, pintor, músico, colecionador, espirituoso contador de histórias, memorialista, telúrico, pensador sábio e mestre, cativou e formou seus seguidores, aprendizes, ensinando-lhes a destrinçar as aparentes complexidades da vida da arte. Se afeito ao escrever fosse, Pierre, em sua autobiografia, relataria de forma pessoal e sem precisão de detalhes: ?Eu sou um pintor e colecionador de símbolos? ? mas, efetivamente a sua melhor autobiografia são suas pinturas geniais, sua vida de colecionador a garimpar, com a força destemida de um porta-bandeira, no front de uma causa vinculada à preservação da memória de todos. Há, no ímpeto do homem Pierre Chalita, o sentimento maior da epistemologia de resgatar, compreender o passado por meio de uma atitude que só um guardador, como uma sentinela, pode possuir. As experiências do colecionador completaram e aprimoraram a sua pintura, configurando um mundo pleno de percepções, movimentos e informações. A sensação de possuir e conviver, com os objetos artísticos qualificados e selecionados, propiciou o aprendizado de que nada, nem o maior poder, poderiam seduzi-lo. O amante d?arte ficou ?Tout le jour? entregue aos ditames dos bens artísticos e servilmente teve uma convivência tão fraterna, tão real, que os objetos passaram a não possuir valor pecuniário, mas, vida ? o colecionador, o pintor, a vida e a coleção são uma só união de átomos! Se a ciência, para o público, é completamente racional, objetiva, metodológica, livre das influências políticas, sociais e a arte é intuição e criatividade, então como poderemos delimitar o que está artístico e científico em um pintor genial como Pierre Chalita? Preferindo entender o essencial do ser humano é que a arte, ciência e o homem Pierre N. Chalita estiveram sempre, fazendo, refazendo e completando ?a missão? que todos têm a agregar, exemplificar para a eternidade ? assim sua eucaristia diuturna teve a companhia de iniciados que não se confessam, não se desesperam, mas, continuamente estão se reconciliando e revelando um suave preparo para o instante final. Com Solange, sua companheira, a cumplicidade, o respeito e a sintonia no sonhar e realizar criaram um paradigma de afeição, amor. Pierre, um espírito com facies árabe e que estando à mesa escolhia só sentar com os bons, cotidianamente atendia a todos, sem convenções nem preconceitos. Vivendo de forma monástica e quase franciscana, foi escolhido para perpetuar a informação dos tempos, foi escolhido para simbolizar a arte, foi escolhido para ser um exemplo. Dedilhando Chopin quando o ouvia dormindo e chamando os pássaros, que em revoada, atenderam seu chamado final, Pierre partiu em paz para seu reencontro com os mestres da pintura mundial, deixando esse maravilhoso mundo rumo ao paraíso. (*) É médico.