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Opinião

A R�ssia de hoje

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De Moscou, fomos pela única ferrovia do mundo em linha reta, traçada por Nicolau I, e que bem exemplifica o que era o regime autocrata dos czares. Ao serem iniciados os estudos para a construção dessa estrada de ferro, surgiram várias dificuldades quanto ao seu traçado: pântanos e outros obstáculos iriam fazer dela uma estrada muito irregular. Como os engenheiros não chegassem a uma conclusão, resolveram levar o assunto ao conhecimento do czar. Nicolau I pediu o mapa e uma régua e com ela traçou uma reta entre Moscou e Leningrado, declarando que a linha férrea tinha de seguir esse traçado. Depois de visitarmos a bela Leningrado com seu belo palácio de verão,Petroverets, que já descrevemos em outra ocasião nas nossas crônicas na Gazeta, fomos para a Finlândia, Paris e voltamos para o Brasil. A nova Rússia Em 1993, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi abolida, na presidência de Boris Yeltsin, consequência do movimento de reforma iniciado por Mikail Gorbatchev, chamado ?Perestroika?, em 1985, diante da corrupção e ineficiência burocrática em que se envolvia a nação comunista. Foi criada a Federação Russa, Leningrado voltou a chamar-se São Petersburgo, a bandeira foi trocada, e o novo Estado tomou o caminho da democracia e da economia de mercado. Essa transformação, profunda e radical, carente de uma concepção clara dos rumos da própria realização, causou um choque na transição para o capitalismo. A euforia dos primeiros tempos deu lugar à luta pela sobrevivência. A desvalorização do rublo diante do dólar desencadeou uma enorme inflação, que empobreceu a maioria da população. Uma minoria enriqueceu por meios ilegais, apropriando-se, ilicitamente, de empresas estatais, privatizadas em processo acelerado. Instalou-se a máfia no país e, com ela, o crime organizado. A perda da Tchetchênia e outros territórios agregados à Rússia vieram agravar a decadência da economia nacional. Um povo que sempre foi tutelado pelo Partido, agora tem tido dificuldade em se adaptar à livre iniciativa. A Rússia é hoje uma República Democrática Federativa e Presidencial, governada por quatro anos por um presidente eleito em sufrágio universal e direto, o qual nomeia o primeiro-ministro e os principais juízes. Estivemos em San Petersburgo há dois anos e presenciamos, com prazer, os melhoramentos da nova Rússia, não obstante seus novos problemas sociais e políticos. Até a sua indústria ganhou um novo e elegante aspecto. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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