Opinião
Promo��o da vida
Nesta época de eleições, escutamos de muitos candidatos o velho discurso sobre a promoção da vida, por meio do combate às desigualdades sociais. Exemplo disto foi o discurso recente de um candidato ao apresentar seu projeto de combate à violência. As medidas a serem tomadas eram tão simplistas que fariam sorrir, caso não se tratasse de um tema trágico em nossos dias. Mas, afinal, o que é a vida? Qual o seu valor? Como promovê-la? Viver é muito mais que um punhado de dias, um processo que engloba nascimento, desenvolvimento, declínio e morte. Não somos seres irracionais. Dotados de razão, descobrimos, através da sede do infinito gravado nos nossos corações, que somos seres criados para alçar voos mais altos; seres feitos para sonhar, criar, amar. Seres feitos para desejar o bem, o belo, a verdade. Na perspectiva cristã, a vida em si mesma é sagrada porque a razão humana traz as marcas da imagem e semelhança com o seu criador. Por isso, somos inquietos, não nos contentamos com uma ?vidinha? qualquer, mas queremos vida plena, vida em abundância. E Deus não somente nos criou à sua imagem. Por meio de seu Filho Jesus, Ele nos deu a sua própria vida, o seu sopro constante, o seu Espírito Santo. É nele que podemos desenvolver todas as nossas potencialidades, gerando frutos de paz, honestidade, fraternidade e solidariedade. Levando em consideração estes aspectos, políticas públicas sérias devem levar em consideração esta concepção abrangente de vida. Oferecer oportunidades é devolver às pessoas a capacidade de construir a sua história pessoal, tantas vezes usurpada pela corrupção produtora de miséria e pobreza. ?Bolsas?, ?sacolas? ou ?muletas? não bastam para que o homem caminhe com dignidade. Elas são necessárias em alguns contextos e momentos. Mas a dignidade somente é desenvolvida quando se tem a oportunidade de colocar em marcha todo potencial que a pessoa traz em si. Um político não deve ser um pedagogo de plantão ? no sentido própria da palavra, aquele que conduz pela mão ?, mas um promotor de vida plena. A Igreja católica e as demais confissões cristãs entenderam o sentido pleno da palavra vida. E buscam sinceramente promovê-la de diferentes maneiras. Seguem aquilo que o seu Senhor sempre dizia aos pecadores: vai e não tornes a pecar. Ou seja: assim como Jesus convidava aqueles com os quais ele cruzava pelo caminho a dar um passo a mais, a crescer humanamente, as igrejas cristãs conclamam e ajudam a fazer o mesmo caminho. Portanto, modéstia à parte, quando se trata de vida, os políticos humildemente deveriam ouvir os cristãos. (*) É seminarista e psicólogo.