Opinião
Montando atalaia
Destaque merecido em nossa primeira página de ontem, o drama vivido por uma família de comerciantes no município de Atalaia pode ser considerado mais uma dentre tantas ocorrências criminosas em nosso Estado. Dois motivos, porém, devem fazer com que a opinião pública não deixe passar desapercebido mais esse caso. O primeiro motivo é mais amplo e está ligado a repetição cruenta das ações criminosas (aqui e alhures): a sociedade não pode se permitir a banalização do crime, sob nenhuma hipótese. A segunda motivação está na própria recorrência do mesmo tipo de crime na mesma cidade. Especialmente quando se trata de um município de população pequena e estável, o que, teoricamente, facilitaria a investigação sobre essa alegada sequência de delitos. Várias das declarações dadas à reportagem conduzem a uma realidade assaz preocupante, pois dão conta de assaltos semelhantes em circunstâncias muito parecidas. Seria exagero dos entrevistados? Seria manifestação de algum tipo de pânico coletivo?Ou estamos diante de uma quadrilha que consegue agir com a tranquilidade de quem domina absolutamente uma realidade, conhecendo intimamente a comunidade onde os crimes são praticados? Uma das declarações, ou desabafo, de uma moradora diz que que ?já indicamos quem está por trás disso e ninguém faz nada?. Alguém precisa fazer algo em relação a isso, isto é verdade. Procede a afirmação de que a própria comunidade dispõe de informações capazes de esclarecer as ocorrências? A quantas anda o sistema de inteligência de nossa polícia? Tais comentários não merecem uma verificação consubstanciada por parte da autoridade policial? Precisamos, ao mínimo, vencer o sentimento de banalização do crime. A polícia, literalmente, precisa ficar de atalaia contra o crime organizado, pelo menos onde ele está virando lugar-comum.