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Opinião

Tributo para um grande alagoano

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Sobrinho de Pierre Chalita, sou um dos felizardos que tiveram a oportunidade de conviver de perto com ele, e, durante os últimos momentos de meu tio nesta vida, recordávamos, eu e um primo que veio do Rio de Janeiro, o quão importante ele foi durante nossa infância, ele foi aquele que nos ensinou a usar o garfo, a cortar a carne e dar valor às coisas. Respeitar o mais velho, obedecer ao pai e à mãe, a poupar e saber que uma casa se constrói assentando tijolo sobre tijolo, foi assim que cresci, ouvindo isto. Tinha também o tio carinhoso, aquele que queria todos os sobrinhos reunidos nas férias e nos fazia, desde cedo, a ajudar a preservar o patrimônio que ele levou uma vida toda para construir, ensinando a polir os objetos, a lavar os lustres e a restaurar a pintura dos seus santos, e reclamava que precisava de mais tempo para trabalhar, para aumentar o patrimônio doado ao povo no intuito de despertar nos jovens o interesse na cultura. Podia ele ter escolhido qualquer lugar para instituir a Fundação, mas ele escolheu Alagoas, lugar onde nasceu e amava. Fica agora a responsabilidade de preservar, melhorar e incrementar os negócios da Fundação Pierre Chalita, Fundação esta que foi uma das razões de sua vida, a outra foi sem dúvida sua esposa cujo amor eterno e incondicional, era tão forte que ele só se sentia completo quando ela estava ao alcance dos seus olhos. Quem estava perto, via nele o desconforto de quando ela, nos seus afazeres como presidente executiva da Fundação, tinha que sair para resolver assuntos inerentes a sua função. Iniciar uma refeição sem sua presença era imperdoável, tomar alguma decisão sem seu consentimento era impossível. A Fundação e minha tia, estes foram os dois grandes amores do meu tio. Precisamos hoje de todo apoio possível para continuar sua obra, obra esta que a maioria de nós necessitaria de dez vidas para concretizar. Lembro-me, certa ocasião dele me chamar e dizer que precisava sair do hospital para trabalhar, que tinha muitas coisas para fazer e, de coração partido disse-lhe que não era possível. Ver em seus olhos a decepção da resposta por mim dada me dá até hoje uma angústia imensurável. Sussurrei no ouvido do tio Pierre que ele fosse em paz se encontrar com minha avó, que nós cuidaríamos dos seus interesses e dos seus amores. Quero agradecer aos médicos dedicados, sobretudo à dra. Sonia Harris, e à tropa de choque ? Lucas, Adilson, Zacarias, Chaveirinho, Madalena, Marcio, Valdemir, Neide, sr. Nelson, Valdinez, Zelito e José Costa por terem cuidado dele com muito carinho e amor e até fazer suas vontades, muitas vezes contrariando a recomendação médica. (*) É engenheiro.

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