Opinião
Hora da educa��o
Embora deva ser saudado por sua capacidade de inserção social, deve despertar preocupações a informação de que a taxa de desemprego no Brasil, atualmente, é maior entre os que conseguiram concluir o segundo grau do que entre os que não lograram vencer esse patamar educacional. Esse dado faz parte de estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). Divulgada na terça-feira, essa pesquisa faz parte do relatório intitulado ?Olhares sobre a educação 2010? e retrata as condições educacionais em 38 países. Nos países ricos esse resultado é diverso, ou seja: o desemprego é maior nas faixas de menor índice educacional. A atual realidade brasileira está na contramão das tendências mundiais. O estudo da OCDE afirma que ?o índice de desemprego entre os que não concluíram o segundo grau no Brasil é de 4,7% da população ativa, enquanto a taxa dos que terminaram o curso é de 6,1%?. Uma realidade contraditória, reflexo natural e eventual do processo particular de desenvolvimento contemporâneo brasileiro, onde o crescimento econômico tem multiplicado extraordinariamente as oportunidades de emprego para as camadas menos favorecidas. Neste aspecto, esse baixo índice de desemprego deve ser considerado positivo; ao mesmo tempo é preocupante, pois para que essa tendência de desenvolvimento seja mantida será indispensável que a cadeia geradora de emprego privilegie a qualificação da mão de obra num espectro mais amplo. Antes de qualquer coisa essa realidade exige um esforço adicional no sentido de serem criadas condições para que essa massa de cidadãos possa complementar seus estudos e se preparar para galgar novos degraus; e, ao mesmo tempo, deve ser impulsionado todo o sistema educacional brasileiro, pois o momento seguinte, inapelável, nos cobrará uma melhor formação escolar.