Opinião
Escrever bem
Cada dia é mais urgente a premente necessidade de todos os que usam a palavra saibam escrever nosso idioma português corretamente e até com certa elegância verbal e gramatical. Com carinho guardo ciosamente, entre as lembranças de minha juventude, um velho e precioso livrinho, presente que foi do Prof. Olavo Almeida, primeira vocação salesiana brasileira do Nordeste. Com ele, convivi e dele muito aprendi nos idos de 1945, no Colégio Salesiano de Cajazeiras, na Paraíba, primeiro campo de meu trabalho de educador salesiano. O livrinho é da autoria de Laudelino Freire, insigne mestre de nossa língua, e o exemplar que eu possuo é da 2ª edição (?com acrescentamentos e cuidadosamente revista?) datado de 1937, do Rio de Janeiro. Diz Laudelino sobre seu livro: ?Este ementário deve ser para o escritor o que para o sacerdote é o breviário: livro de regras que ele deve ler todos os dias, como todos os dias lê o sacerdote o seu livro de orações?. Continua o prefácio de Laudelino: ?Entre brasileiros é geral o desamor da língua, sabendo-se que reduzidíssimo é o número dos que lhe não são indiferentes. Inveterou-se no escrever o desleixo, e, como consequência, enxameiam-se as letras de nódoas, que se não perdoam?. Precisamos continuamente, em nosso trabalho diário, escrever cartas, artigos, comunicações e pequenos textos para inúmeras necessidades. Daí, a exigência de dominarmos as regras gramaticais indispensáveis para escrever com exatidão e pureza vernácula. Pensei fazer trabalho útil a todos os que usam a palavra, como instrumento de trabalho ou de apostolado, resumir, esquematizar e colocar em melhor ordem as cem regras, que o mestre Laudelino Freire apresenta em seu velho livro das regras práticas para bem escrever. Daí nasceu um livrinho que publiquei em primeira edição, quando arcebispo de Maceió, impresso na Gráfica Editora Gazeta de Alagoas. Essa edição está esgotada e foi logo muito bem aceita, principalmente pelos meus irmãos bispos do Nordeste, que adquiriram o opúsculo, sobretudo para seus seminaristas e padres, uma vez que ele era ?dedicado aos meus padres, diáconos e seminaristas de Maceió?. Agora, com as alterações introduzidas na ortografia pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 16 de dezembro de 1990, embora não aceitas por todos, resolvi fazer uma segunda edição do opúsculo, impressa na Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios do Recife. Em Maceió, o livrinho está disponível com a Irmã Josefa, na Casa de Convivência Santa Clara, na Ladeira da Catedral,17 e na Livraria Paráclito. (*) É arcebispo emérito de Maceió.